Hoje acordei a pensar no Chiquinho. Precisava de ver o Chiquinho com urgência. Só tinha dois dias para perceber o que se passava com o Chiquinho. Toda a manhã o Chiquinho me ocupou o pensamento, de uma forma absoluta. Tinha de o encontrar. Precisava de lhe tocar, de sentir nas mãos o seu corpo, ouvir o que tinha para me dizer, perceber-lhe os medos, sentir os seus fantasmas, os seus sonhos e desesperos. Era muito importante para mim… Estava decidido! De hoje, não passaria. Tinha de encontrar o Chiquinho!
Logo depois do almoço, meti-me no trânsito molengão, por causa da chuva miudinha que caía e dirigi-me ali. Ali, por certo encontraria o Chiquinho. Mas não, não estava. Retorno ao trânsito e vou acolá. No acolá também ninguém vira o Chiquinho. Não desarmei !
Talvez além. Corri para o além – “Vá lá Chiquinho, não sejas assim. Preciso tanto de ti!” Mas no além, nem sombra do Chiquinho. Já o coração se me apertava, vendo tão reduzidas as hipóteses de encontrar o Chiquinho.
Numa última tentativa ainda fui lá, mas nem no lá consegui os meus intentos.
Apeteceu-me gritar: - Chiquinho, Chiquinho, por favor não me faças isso… Mas calei-me, entristecida. Para meu desespero, o Chiquinho sumira sem deixar rasto!
Regressei a casa frustrada, com a preocupação a pesar-me nas mãos vazias. O caso não era para menos!
- Do autor cabo-verdiano Baltasar Lopes? Não, não senhora! Ainda não li o “ Chiquinho.” É o que terei de responder de cabeça baixa, na próxima aula, à professora de Literatura Africana.