segunda-feira, 2 de novembro de 2009

Rio Lima

O fascínio que a água em movimento exerce sobre mim, leva-me a procurá-la sempre que me é possível . Assim, muitas vezes, aos fins-de-semana faço os meus passeios perto do mar ou de um rio. O Lima é um dos meus preferidos pela beleza das margens, pela acalmia e pureza das águas, pela pacificadora sinfonia das pequenas cascatas… É um lugar inefável em que as estações do ano se apresentam sempre na sua melhor roupagem. Agora, no Outono, as árvores são telas espantosas de matizes admiráveis, quase irreais. Deixo-me seduzir…

Ora, no decorrer de um destes passeios, deparei com a representação em figuras alegóricas de um exército romano apeado, na margem esquerda do referido rio e na direita o chefe das tropas a cavalo, em posição de incitamento dos seus homens. Trata-se de uma alusão à lenda do rio Lethes que passo a resumir:

O rio Lethes, rio de inestimáveis belezas, na mitologia greco-romana era conhecido pelo Rio do Esquecimento. Acreditava-se que as suas águas tinham o poder de retirar todas as memórias a quem o atravessasse.
Quando, no ano 138 a.c. Decimus Junius Brutus chega às margens do Lima à frente do seu exército e ordena aos soldados a travessia do mesmo, acto essencial para o sucesso da sua campanha de conquista na região, estes deslumbrados com tanta beleza, julgaram estar perante o Rio do Esquecimento. Amedrontados, recusavam firmemente cumprir a ordem recebida.

O comandante decidido a quebrar o mito, fez a travessia sozinho. Da outra margem chamou os soldados um a um, pelos nomes próprios, provando-lhes assim que aquele não era de facto, o Rio do Esquecimento.

Se eu estivesse no lugar de um desses soldados, (hipótese grotesca, para quem de juízo) penso que o atravessaria sem medo… Mesmo que, da outra margem me chamassem Olívia em vez de Lídia.

32 comentários:

Graça disse...

Nem imaginas a alegria de ler este teu texto. O Lima é um rio que corre no meu coração. Desde que me conheço por gente que, sempre que me permitem, corro para essas margens, para esse Minho que eu adoro.

Beijo grande, Lídia, sem esquecimento, certo?

Anónimo disse...

Deve-se sempre correr os riscos quando se ama algo ou alguém...

Como dizes: "Lima é um dos meus preferidos pela beleza das margens, pela acalmia e pureza das águas, pela pacificadora sinfonia das pequenas cascatas…"

Tudo está dito!!!

Um Beijo

angela disse...

Amor é assim, a gente se lança mesmo que nos chamem por outro nome...pior é ficar longe.
beijos

Akhen disse...

Lidia

Um hino ao Rio considerado dos mais belos no seu conjunto paisagistico, senão o mais belo.
Não será o rio do eterno esquecimento, mas não há duvida, que junto dele nos esquecemos de muitas coisas que nos preocupam.

Beijo

Paz e Luz no seu caminho

aapayés disse...

Bella entrada.. un gusto pasar por tu esapcio..

Se disfruta leyendo

Un beso

Un abrazo
Con mis
saludos fraternos de siempre..

vieira calado disse...

Oh, amiga Olívia...

perdão Lídia...

que linda história!

Não a conhecia, embora soubesse
(e não me tivesse ainda esquecido que o Lethes é o rio do esquecimento grego-romano)

Beijinhosss

João de Sousa Teixeira disse...

Vou eu andando, lenda abaixo, com a curiosidade e o interesse por tão extravagante mas ao mesmo tempo tão bem contada história, quando no final me deparo com tal remate!
Saberá a minha Amiga por que me rio de forma quase desconcertante? Pois sabe.
Ficarei a conhecer o Lima pelo rio dos milagres... literários.

Beijinho
João

Cris França disse...

Lídia, quis poder andar por andas, linda descrição. bjs

DIABINHOSFORA disse...

Ainda há pouco tempo estive nessas margens quando fui às feiras novas :)
Lindo aquele rio, sem dúvida!
Um rio de esquecimento às vezes dava jeito! rsrsrsr

Beijo

Alma Mateos Taborda disse...

Qué bello texto transmite paz y alegría. Un abrazo

Graça Pereira disse...

Não conhecia a história, embora conheça o rio Lima... e fiquei maravilhada!!
Um beijo
Graça

Doroni Hilgenberg disse...

Lidia,

Voltei...
Belo texto,
não conhecia a lenda, mas adoro Rios e sua exuberante beleza.
Até escrevi um verso para o rio que povoou minha infância.
"... Rio que corre altaneiro
por uma estrada sem fim,
tu foste também travesseiro
das magoas a correr por mim"...^
bjs

Unknown disse...

ESTAMOS SEMPRE A APRENDER!!! ESSA HISTÓRIA DELICIOU-ME. AUMENTEI UM POUQUINHO MAIS À MINHA CULTURA GERAL.SÓ SEI DIZER UMA COISA:ÉS SIMPLESMENTE FANTÁSTICA!É SEMPRE UM PRAZER E UMA OBRIGATORIEDADE PASSAR PELO TEU BLOG! HÁ SEMPRE ALGO MUITO AGRADÁVEL Á NOSSA ESPERA...DISSO TENHO EU A CERTEZA ABSOLUTA! BEM HAJAS,MINHA GRANDE AMIGA!!!BEIJOKAS CARINHOSAS

Carlos Gonçalves disse...

Lídia, rios... o teu Lima, o meu Ceira, o Tejo, por afinidade...
Rios onde correm as águas dos meus sonhos, onde desaguam as águas das minhas angústias. Adoro as correntes tranquilas, vivo o desassosego do transbordar das margens, adoro a natureza, vivo a paixão da vida...

Um beijo, Lídia.

Carlos

sideny disse...

Venho desejar.lhe uma boa semana .

bijinhos

Demóstenes disse...

Subitamente senti uma necessidade imensa do verde (do) Minho.

Muito aconchegador este seu cantinho.

Mar Arável disse...

O Lima pois claro

como escrevi

do ventre

até à foz

Terno o beijo que deixa nas águas

Finalmente descobri o seu espaço.

margusta disse...

Sou minhota e vivi na região de Cabeceiras de Basto até aos 11 anos de idade. Tenho visitado o Minho algumas vezes mas nunca fui a Ponte de Lima...mas é muito grande o desejo que tenho de conhecer essa cidade e esse rio pelo que ouço falar...De certeza será um próximo destino de férias! O Mino é lindo em qualquer estação do ano e agora deve estar maravilhoso com as cores do Outono.

Gostei imenso de te ler!

Um beijinho Lídia!

José Carlos Brandão disse...

Foi uma grande alegria ler seu texto. Conhecer o seu Lima. Os rios habitam o nosso coração. Somos como as árvores, com um rio no coração e pássaros nos ramos. Bela a mitologia do Lima. Gostei. Parabéns. Um beijo.

Maria Emília disse...

Belissimo poema,Lídia. Obrigada por nos presentear com esta fantástica e não menos significativa lenda e pelo seu comentário final.
Um grande beijinho,
Maria Emília

lupuscanissignatus disse...

caudal

que

não

cessa


[submersão
no
fascínio]



*boa semana*

Gabriela Rocha Martins disse...

uma ilustração perfeitíssima ,demonstrando como a História coabita com a Poesia

são únicos os teus símbolos....


.
um beijo

Cristina Fernandes disse...

O Lima e os encantos do Minho... é um rio que toca o coração por dentro. Foi um prazer ler este texto.
Um beijo
Chris

Carmo disse...

Oh Lídia a quem o diz e eu que vivi lá doze anos.

Beijinhos

Carmo

poetaeusou . . . disse...

*
Como o rio lima
Os rios são poetas a cantar!...
Ah! cantam, cantam sempre, são troveiros,
Que vão passando a vida a namorar
As folhas predilectas dos salgueiros!
,
In-Teófilo Carneiro
,
Conchinhas, deixo,
,
*

Elzenir Apolinário disse...

Oi, lídia, por falar em amor...vc já beijou na chuva? Responda em meu blog. Bjs

Elcio disse...

Pelo q sei de mim, daria meia volta e esqueceria q estive diante daquele rio um dia...rss

É isso aí.

Bjs

Sandra Ribeiro disse...

Não conheço o Rio que mencionou, deve ser muito lindo e você o descreveu de maneira tão bonita, gosto muito de águas também, tenho a felicidade de morar pertinho do mar...

Cris França disse...

Ola Lídia

O Canto de Contar Contos vai comemorar o seu primeiro ano de vida e eu vim te convidar para a festa, passe por lá para saber mais.

Um beijo

Cris

Vivian disse...

...todo rio tem a capacidade
de nos fazer poemar sobre suas
águas.


e vc se portou tal como um
poeta ama a natureza..

que lindo
que linda!

beijos, querida!

Fernanda disse...

Gostei tanto de ler a história!! Tenho algumas fotografias dos soldados, estão tão bonitas!
E tu, vais tão bem da história dos romanos para as tuas deambulaçóes!... Beijinhos Olívia (também podias ser, é bonito:)!)

JOSÉ RIBEIRO MARTO disse...

Eterna àgua para quem vem do sol , o sol que sempre fez companhia mesmo procurando a vastidão do rio o Sado , e agora O Tejo , o rio que fiz meu !
Abraço , Lidía !
_________ JRMARTO