O fascínio que a água em movimento exerce sobre mim, leva-me a procurá-la sempre que me é possível . Assim, muitas vezes, aos fins-de-semana faço os meus passeios perto do mar ou de um rio. O Lima é um dos meus preferidos pela beleza das margens, pela acalmia e pureza das águas, pela pacificadora sinfonia das pequenas cascatas… É um lugar inefável em que as estações do ano se apresentam sempre na sua melhor roupagem. Agora, no Outono, as árvores são telas espantosas de matizes admiráveis, quase irreais. Deixo-me seduzir…Ora, no decorrer de um destes passeios, deparei com a representação em figuras alegóricas de um exército romano apeado, na margem esquerda do referido rio e na direita o chefe das tropas a cavalo, em posição de incitamento dos seus homens. Trata-se de uma alusão à lenda do rio Lethes que passo a resumir:
O rio Lethes, rio de inestimáveis belezas, na mitologia greco-romana era conhecido pelo Rio do Esquecimento. Acreditava-se que as suas águas tinham o poder de retirar todas as memórias a quem o atravessasse.
Quando, no ano 138 a.c. Decimus Junius Brutus chega às margens do Lima à frente do seu exército e ordena aos soldados a travessia do mesmo, acto essencial para o sucesso da sua campanha de conquista na região, estes deslumbrados com tanta beleza, julgaram estar perante o Rio do Esquecimento. Amedrontados, recusavam firmemente cumprir a ordem recebida.
Quando, no ano 138 a.c. Decimus Junius Brutus chega às margens do Lima à frente do seu exército e ordena aos soldados a travessia do mesmo, acto essencial para o sucesso da sua campanha de conquista na região, estes deslumbrados com tanta beleza, julgaram estar perante o Rio do Esquecimento. Amedrontados, recusavam firmemente cumprir a ordem recebida.
O comandante decidido a quebrar o mito, fez a travessia sozinho. Da outra margem chamou os soldados um a um, pelos nomes próprios, provando-lhes assim que aquele não era de facto, o Rio do Esquecimento.
Se eu estivesse no lugar de um desses soldados, (hipótese grotesca, para quem de juízo) penso que o atravessaria sem medo… Mesmo que, da outra margem me chamassem Olívia em vez de Lídia.
32 comentários:
Nem imaginas a alegria de ler este teu texto. O Lima é um rio que corre no meu coração. Desde que me conheço por gente que, sempre que me permitem, corro para essas margens, para esse Minho que eu adoro.
Beijo grande, Lídia, sem esquecimento, certo?
Deve-se sempre correr os riscos quando se ama algo ou alguém...
Como dizes: "Lima é um dos meus preferidos pela beleza das margens, pela acalmia e pureza das águas, pela pacificadora sinfonia das pequenas cascatas…"
Tudo está dito!!!
Um Beijo
Amor é assim, a gente se lança mesmo que nos chamem por outro nome...pior é ficar longe.
beijos
Lidia
Um hino ao Rio considerado dos mais belos no seu conjunto paisagistico, senão o mais belo.
Não será o rio do eterno esquecimento, mas não há duvida, que junto dele nos esquecemos de muitas coisas que nos preocupam.
Beijo
Paz e Luz no seu caminho
Bella entrada.. un gusto pasar por tu esapcio..
Se disfruta leyendo
Un beso
Un abrazo
Con mis
saludos fraternos de siempre..
Oh, amiga Olívia...
perdão Lídia...
que linda história!
Não a conhecia, embora soubesse
(e não me tivesse ainda esquecido que o Lethes é o rio do esquecimento grego-romano)
Beijinhosss
Vou eu andando, lenda abaixo, com a curiosidade e o interesse por tão extravagante mas ao mesmo tempo tão bem contada história, quando no final me deparo com tal remate!
Saberá a minha Amiga por que me rio de forma quase desconcertante? Pois sabe.
Ficarei a conhecer o Lima pelo rio dos milagres... literários.
Beijinho
João
Lídia, quis poder andar por andas, linda descrição. bjs
Ainda há pouco tempo estive nessas margens quando fui às feiras novas :)
Lindo aquele rio, sem dúvida!
Um rio de esquecimento às vezes dava jeito! rsrsrsr
Beijo
Qué bello texto transmite paz y alegría. Un abrazo
Não conhecia a história, embora conheça o rio Lima... e fiquei maravilhada!!
Um beijo
Graça
Lidia,
Voltei...
Belo texto,
não conhecia a lenda, mas adoro Rios e sua exuberante beleza.
Até escrevi um verso para o rio que povoou minha infância.
"... Rio que corre altaneiro
por uma estrada sem fim,
tu foste também travesseiro
das magoas a correr por mim"...^
bjs
ESTAMOS SEMPRE A APRENDER!!! ESSA HISTÓRIA DELICIOU-ME. AUMENTEI UM POUQUINHO MAIS À MINHA CULTURA GERAL.SÓ SEI DIZER UMA COISA:ÉS SIMPLESMENTE FANTÁSTICA!É SEMPRE UM PRAZER E UMA OBRIGATORIEDADE PASSAR PELO TEU BLOG! HÁ SEMPRE ALGO MUITO AGRADÁVEL Á NOSSA ESPERA...DISSO TENHO EU A CERTEZA ABSOLUTA! BEM HAJAS,MINHA GRANDE AMIGA!!!BEIJOKAS CARINHOSAS
Lídia, rios... o teu Lima, o meu Ceira, o Tejo, por afinidade...
Rios onde correm as águas dos meus sonhos, onde desaguam as águas das minhas angústias. Adoro as correntes tranquilas, vivo o desassosego do transbordar das margens, adoro a natureza, vivo a paixão da vida...
Um beijo, Lídia.
Carlos
Venho desejar.lhe uma boa semana .
bijinhos
Subitamente senti uma necessidade imensa do verde (do) Minho.
Muito aconchegador este seu cantinho.
O Lima pois claro
como escrevi
do ventre
até à foz
Terno o beijo que deixa nas águas
Finalmente descobri o seu espaço.
Sou minhota e vivi na região de Cabeceiras de Basto até aos 11 anos de idade. Tenho visitado o Minho algumas vezes mas nunca fui a Ponte de Lima...mas é muito grande o desejo que tenho de conhecer essa cidade e esse rio pelo que ouço falar...De certeza será um próximo destino de férias! O Mino é lindo em qualquer estação do ano e agora deve estar maravilhoso com as cores do Outono.
Gostei imenso de te ler!
Um beijinho Lídia!
Foi uma grande alegria ler seu texto. Conhecer o seu Lima. Os rios habitam o nosso coração. Somos como as árvores, com um rio no coração e pássaros nos ramos. Bela a mitologia do Lima. Gostei. Parabéns. Um beijo.
Belissimo poema,Lídia. Obrigada por nos presentear com esta fantástica e não menos significativa lenda e pelo seu comentário final.
Um grande beijinho,
Maria Emília
caudal
que
não
cessa
[submersão
no
fascínio]
*boa semana*
uma ilustração perfeitíssima ,demonstrando como a História coabita com a Poesia
são únicos os teus símbolos....
.
um beijo
O Lima e os encantos do Minho... é um rio que toca o coração por dentro. Foi um prazer ler este texto.
Um beijo
Chris
Oh Lídia a quem o diz e eu que vivi lá doze anos.
Beijinhos
Carmo
*
Como o rio lima
Os rios são poetas a cantar!...
Ah! cantam, cantam sempre, são troveiros,
Que vão passando a vida a namorar
As folhas predilectas dos salgueiros!
,
In-Teófilo Carneiro
,
Conchinhas, deixo,
,
*
Oi, lídia, por falar em amor...vc já beijou na chuva? Responda em meu blog. Bjs
Pelo q sei de mim, daria meia volta e esqueceria q estive diante daquele rio um dia...rss
É isso aí.
Bjs
Não conheço o Rio que mencionou, deve ser muito lindo e você o descreveu de maneira tão bonita, gosto muito de águas também, tenho a felicidade de morar pertinho do mar...
Ola Lídia
O Canto de Contar Contos vai comemorar o seu primeiro ano de vida e eu vim te convidar para a festa, passe por lá para saber mais.
Um beijo
Cris
...todo rio tem a capacidade
de nos fazer poemar sobre suas
águas.
e vc se portou tal como um
poeta ama a natureza..
que lindo
que linda!
beijos, querida!
Gostei tanto de ler a história!! Tenho algumas fotografias dos soldados, estão tão bonitas!
E tu, vais tão bem da história dos romanos para as tuas deambulaçóes!... Beijinhos Olívia (também podias ser, é bonito:)!)
Eterna àgua para quem vem do sol , o sol que sempre fez companhia mesmo procurando a vastidão do rio o Sado , e agora O Tejo , o rio que fiz meu !
Abraço , Lidía !
_________ JRMARTO
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