quarta-feira, 3 de fevereiro de 2010

Quando a morte vier


Quando a morte vier
Quero que me encontre
Ocupada a viver
Não quero ser eu a esperar
Que pode demorar

Vou-me entretendo
A plantar alegrias
A regar solidões
A podar tristezas
Ou a encher corações


E o tempo a correr


Quando a morte vier
Não quero senti-la
Sem que seja
Na sombra de asas
A descer de mansinho
Como papão
A assustar o menino.


Que me leve então
Devagarinho
Dar-lhe-ei a mão
Para que me guie,
Me mostre o caminho.

28 comentários:

sideny disse...

Ola Lidia

Adorei.

Quando a morte vier, nao quero senti-la.

e quero que me encontre, ocupada a viver.

belas estas palavras.

beijinhos

rosa-branca disse...

Amiga, adorei o poema, mas aguenta aí os cavalos, que eu quero ler ainda, muita poesia como só a Lidia, sabe escrever!... Ela sabe quando há-de vir, não precisa lembrar sequer. Beijos

Eva Gonçalves disse...

Quando a morte vier... já terei plantado alegrias, regado solidões e podado tristezas, mas espero estar ocupada no jardim ainda a jardinar aqui e ali, a admirar frutos e flores e a apanhar banhos de sol. Queremos todos que ela venha devagar e nos dê a mão sem a sentir... :)Bjo

Unknown disse...

POEMA MUITO LINDO,SEM DÚVIDA E MUITO SUAVE!!!MAS PREFIRO NEM COMENTAR POIS TOCA-ME NA FERIDA K TANTO ME ANGUSTIA E DOMINA CONSTANTEMENTE A MINHA VIDA!VIVO PERMANENTEMENTE A PENSAR NISSO! A MINHA VIDA ESTÁ ENSOMBRADA POR ESSE TEMA! BEIJOKAS GRANDES

Graça disse...

Lindo. Adoro os teus poemas, sempre tão plenos de sentir.
Quando a morte vier, que não me diga nada... prefiro não saber!

Um beijo.

ju rigoni disse...

"Vou-me entretendo
A plantar alegrias
A regar solidões
A podar tristezas
Ou a encher corações


E o tempo a correr"

Pois é Lídia, infelizmente o tempo é um gerúndio; ele vai passando... Sua natureza é passar...

Belo poema!

Bjs e inté!

Graça Pereira disse...

..."Quero que me encontre ocupada a viver"
É isso! mas quantas vezes nos esquecemos de viver??!
Um beijo
Graça

Anónimo disse...

Poetas não morrem ficam encantados.


Um beijo

Valquíria Calado disse...

Quando chegar que seja suave,

sem arrepender-me do vivido.

obrigada por sua visita
um abraço no coração.

Moni Saraiva disse...

Ocupemo-nos em viver, então...
Há muito tempo!
Há muito o que fazer!

Beijos...

Sonhadora (Rosa Maria) disse...

Minha querida Lidia
Belo poema...adorei.

Vou-me entretendo
A plantar alegrias
A regar solidões
A podar tristezas
Ou a encher corações

É mesmo assim.

Beijinhos
Sonhadora

angela disse...

Bonito, Lidia, Também quero assim: ocupada em viver.
beijos

Júlio Castellain disse...

...
Gosto muito dos teus poemas.
Sem palavras...
Beijo.
...

ana p disse...

Muito bonito Lidia...
Beijo

Ana Cristina Cattete Quevedo disse...

Viver sem esperar o Amanhã, pois dele nada sabemos.
Fazer o bem enquanto esperamos.
Esse foi tema de meu post de hoje.
Coincidencia?

Beijoca

=)

João de Sousa Teixeira disse...

Outra hipótese é:

DISPOSIÇÕES GERAIS





Não tenho ainda definido o sítio para morrer
tranquilo
nem médico legista que aconselhe
uma autópsia digna desse nome
os meus receios são balas
que confundo com a migração dos pássaros
os pequenos azares
que magoam como golpes incicatrizáveis

por desejo inconsequente
quis ser insecto
mais tarde ou mais cedo acaba por acontecer a todos
a quem a força da gravidade apenas deixa soltos
os miolos
uma ou outra apólice de acidentes pessoais
e não tem ainda definido o sítio para morrer
tranquilo

Beijinho
João

Juliana Matos. disse...

Que lindas palavras,
quando a morte vier deixe ela passar por outro lado..rs

Beijos Lídia, sempre palavras inspiradoras aqui!!

poetaeusou . . . disse...

*
morte
o outro lado
misterioso da vida,
que espera por nós . . .
,
conchinhas luzentes, ficam,
,
*

vieira calado disse...

Não sei falar sobre a morte.

Beijinho

Unknown disse...

Olá
Não sei falar com a morte, mas sei que ela é uma presença que me segue os passos.
Como tu, também eu lhe digo:
- deixa-me tratar das roseiras e da relva verde do jardim.
- Deixa-me fazer poemas ao vento para te abrandar o caminho.
- Vem lentamente e guia-me para que não tenha medo de entrar numa vida nova.
- Deixa-me o sorriso mais belo da missão cumprida, da partilha e do amor

A.S. disse...

Lídia... virá sim, como quem vira docemente a página de um livro, ou termina a rima de um verso...


Beijos...
AL

lis disse...

Lídia
Concordo com alguém que citou Guimaraes Rosa: "poetas nao morrem ,ficam encantados."
que assim seja, e que o encanto continue a nos envolver .
Poemas lindos pra caramba!! (bem no popular) mas muito verdadeiro.
meus abraços

Mar Arável disse...

A morte não existe

se tivermos amigos

que não nos deixem morrer

Amar sem sofrer na Adolescência disse...

Querida Lídia,
Quando me deparo com tanta beleza,sinto que meus olhos se iluminam, se encantam, se vestem de poesia. Obrigada e, como sempre, parabéns!
Bjs

Unknown disse...

Quando a morte vier também quero estar ocupada, distraída e espero que esteja muito longe...
Gostei muito do seu blog, bom fim-de-semana

Anónimo disse...

Eu não acredito em morte. O símbolo grego para a reencarnação era o golfinho. Pois o golfinho hora está mergulhado no denso mar e horas saltado no na sutileza do ar. Hora num mundo, hora no outro. Nós tb, hora estamos encarnados, hora desencarnados, mas sempre vivos. É impossível morrer, a alma é eterna, tudo que não é eterno não é verdadeiro, por isso nosso corpo físico tem de voltar ao pó.
Beijos para vc Lídia e para seus queridos leitores.
Fabrício
PS: atualizei meu bloguito com o tema do tabagismo, aguardo vcs por lá.

José Carlos Brandão disse...

Lindo, Lídia. Um poema bem medido, exato nas palavras e imagens.
Beijo.

Flip disse...

muito lindo Lídia, "Quando a morte vier..." como diria Woody Allen, não queria estar presente
:-)
um beijinho