"O poema me levará no tempo / Quando eu já não for / A habitação do tempo / E passarei sozinha / Entre as mãos de quem lê / - O poema alguém o dirá/ Às searas" - Sophia de Mello Breyner Andresen - Livro Sexto (1962)







Domingo, 11 de Dezembro de 2011

Música

Pintura: Orazio Gentileschi (1563-1647)



Esta música é quase vento
Cítaras bailam sobre os penhascos
Tocam-me de longe, cordas tensas
Entre um prelúdio e um percurso de água.
E a hesitação do instante é já naufrágio
Ecos, vozes, agitação...
Caixa de ressonância surda
Em busca do compasso certo
Do tom




16 comentários:

heretico disse...

(dis)sonâncias. belas...

beijo

carol disse...

Andamos todos, querida Lídia, "em busca do compasso certo do som"...

Encontrá-lo-emos? Sei lá!

Boa semana

Rogério Pereira disse...

Que chegue,
depois do poema,
o caos
Terá que bem
se arrumar
(som, já tem.
E soa tão bem...)

Mona Lisa disse...

Uma música, sem compasso, que nos descontrola...

Bjs.

Dilmar Gomes disse...

Amiga Lídia, passei por aqui para apreciar tua arte e para deixar o meu abraço.
Tenhas uma linda semana.

Celso Mendes disse...

Quase vento, a poesia sopra cada sentido como música. E a música é quase poesia, que nos faz dançar a imaginação.

"Sem música a vida não faria sentido"
(Nietzsche)

"A poesia atrofia-se quando se afasta muito da música.
A música atrofia-se quando se afasta muito da dança"
(Ezra Pound)

Lindo poema, amiga!

beijo.

as-nunes disse...

Sintonia perfeita entre poesia e música.

Bela entrada!

Bj

João de Sousa Teixeira disse...

Neste seu poema de promessa ou véspera de som, há exactamente um som menos conseguido: “avariadas”. Quanto ao poema (bem ao seu jeito – pois a que outro haveria de ser?... – na forma e na melodia).
Em Alegria Incompleta fiz algo parecido, que creio já lhe ter mostrado:
Naquele dia o velho búzio
emergiu do oceano
desenhando círculos no espelho da água
e a praia cobriu-se
duma espessa e incorruptível bruma

naquele dia o velho búzio
não era mais que uma crisálida de névoa
em vésperas de música

Hoje deu-me para a recensão crítica… Afinal é segunda-feira e é outra música!
:)
Beijinho
João

Lídia Frade disse...

A MUSICA E SEUS COMPASSOS!!!
NA VIDA SE LIGAM, SE MOVIMENTAM!!!

BOAS FESTAS LÍDIA

1 BEIJINHO DA LÍDIA

José Rodrigues Dias disse...

E a hesitação do instante é já naufrágio
Que o quase vento é vendaval de contágio…

Maria João disse...

E a música é, como a poesia, um quase vento onde acertamos, também, a sintonia dos compassos.
Flutuo neste conjunto, que sendo muito maior do que a soma das partes é um caminho onde me sinto em casa.

Um beijinho

Nilson Barcelli disse...

Partiste a música...
Mais a sério, gostei deste poema. Surpeendeste-me pela positiva.
Querida amiga Lídia, desejo-te uma boa semana.
Beijo.

Mar Arável disse...

... uma vez mais...

construímos equilíbrios

na assimetria

Bjs

silvioafonso disse...

.

No branco desse espaço, areia
lavada pelo mar. Escrevesse eu
meu nome, não te faria amar.
Espaço branco em papel amare-
lado pelo tempo. Pele resseca-
da de espera na maresia do ven-
to. Espaço em branco na minha
vida. Espaço em que sem ti,
vivi. Espaço a tua espera, uma
espera cansada de sentir.

silvioafonso





Estou seguindo o seu blog.
Siga o meu, vai.

.

Flor de Jasmim disse...

Por vezes a música diz-me tudo, não preciso de palavras apenas o som dela.

Beijinho e uma flor

manuela baptista disse...

o compasso
é muito fácil de encontrar

é como o tempo, ouve-se o bater do coração

mas é uma busca,sim

um beijo

manuela