"O poema me levará no tempo / Quando eu já não for / A habitação do tempo / E passarei sozinha / Entre as mãos de quem lê / - O poema alguém o dirá/ Às searas" - Sophia de Mello Breyner Andresen - Livro Sexto (1962)







Quarta-feira, 14 de Dezembro de 2011

Rostos


Que rostos são estes que passam
Sombrios e distantes?
Que laços e limites os atam
À incerteza dos instantes?

Que rostos são estes que vejo
Na luz breve de um olhar?
Gente sem voz nem ensejo
Gente insulada a passar.

Vai sem rumo nem destino.
Seu caminho é caminhar.
Ao relento em desatino
Sem foz p’ra desaguar.

É gente que eu pressinto
Tão próxima do meu viver
E a culpa que hoje sinto
É como chaga a doer.

A dor que marca o momento
É tão grande que consome.
É vento forte, é tormento
É mal que não tem nome.

19 comentários:

Dilmar Gomes disse...

Querida amiga Lídia, não direi que estes versos são lindos, porque são tristes, mas sei a que a realidade de muita no mundo não é composta pela alegria, enfim, os versos são ótimos.
Um abração. Tenhas uma ótima noite.

Flor de Jasmim disse...

São os rostos que vamos ver por aqui a diante minha amiga.

Amei por e simplesmente.

Beijinho e uma flor

Celso Mendes disse...

A história da humanidade é feita de conquistas brilhantes e descasos horripilantes com outros humanos. Rostos sem identidade continuam nos perseguindo em meio à miséria que se lhes foi imposta; é nosso dever tentar dar uma identidade a eles, se quisermos um dia nos tornarmos humanos em sua plenitude.

Maravilha de poema, Lídia.

beijo.

BRANCAMAR disse...

Também eu sinto isto Lídia, tão bem dito por ti, assim.
São estes os rostos de uma geração, como dizes, "sem foz p´ra desaguar".

Beijinhos para ti.

teca disse...

São rostos que vivem...

Gostei da força dos versos e da imagem tão bem escolhida.

Um beijo carinhoso.

Mona Lisa disse...

É gente sofrida, sem rumo, apenas existindo e não vivendo.

Belísimo e actual poema!

Bjs.

Rogério Pereira disse...

"É gente que eu pressinto
Tão próxima do meu viver
E a culpa que hoje sinto
É como chaga a doer."

É mal que não tem nome?
Tem, poeta tem.
E nós sabe-mo-lo bem...

[a peça de violino (que estou ouvindo), diz quase o que as suas palavras dizem. Mas elas me tocam mais]

Dhebora Hevelin disse...

rosto.. expressão do pensamento!

beijoo grande!

João de Sousa Teixeira disse...

Essa cara flagelada
diz-nos mesmo sem voz,
que uma é a face olhada
e por dentro somos nós.

Beijinho
João

Dulce disse...

Quantas vezes, em meio a rostos que passam, sentimos essa mesma perplexidade?... Perplexidade que não sabemos expressar, pois falta-nos o dom da poesia, a sensibilidade, talvez, da alma dos poetas e que vemos aqui, nestes seus versos... Lindo!...

Beijos

José Rodrigues Dias disse...

Olá, Lídia:
Muito bonito, forte e importante,
que importa perguntar e gritar!

Maria João disse...

A contemplação inquieta do poeta perante os rios que parecem perdidos nas suas próprias margens. Este é o olhar demorado pelo interior silencioso das coisas.. um olhar peculiar no rosto de cada um, que por nos tocar dolorosamente a alma, nos obriga a questionarmo-nos sobre os cursos e percursos da humanidade.

Especial, como é sempre a tua poesia. Especial, como tu!

Um beijinho, Lídia

Graça Pereira disse...

São rostos marcados pela angústia e pelo medo e revelam vidas, hoje, tão parecidas com as nossas... E nós, temos mãos impotentes, incapazes de alterar uma vírgula do seu percurso..
Um poema interrogante, belo na nudez da sua verdade e triste na marca que nos deixa.
Beijo
Graça

piedadevieira disse...

Maravilhoso, minha querida, e puramente verdade. Já não nos con hecemos mais.
beijos

Graça Pereira disse...

Já tinha passado por aqui e comentado mas...há ventos que levam tudo!
Um poema inquietante, belo,mas que deixa pingos de angústia dentro de nós.
Beijo e votos de um Faliz Natal.
Graça

José María Souza Costa disse...

Fenomenal
Adorei, esses ventos....

CONVITE

Primeiro, eu vim ler o seu blogue.
Agora, estou lhe convidando a visitar o meu, e se possivel seguirmos juntos por eles. O meu blogue, é muito simples. Mas, leve e dinamico. palpitamos sobre quase tudo, diversificamos as idéias. mas, o que vale mesmo, é a amizade que fizermos.
Estarei grato, esperando VOCÊ, lá.
Abraços do
http://josemariacostaescreveu.blogspot.com

BlueShell disse...

São gente que, como nós, sofre, de um modo ou de outro...apenas isso...se nos virmos ao espelho somos o nosso refelexo que vemos nesses rostos...
Bj

Aníbal Raposo disse...

Rosto expressivo o da foto.

Às vezes quem vê caras vê corações...

Bonito poema.

Bjs

AC disse...

Lídia,
A realidade é dura, por vezes cruel, muitas vezes frustrante...
Mas também nesse olhar há poesia, e da boa.

Beijo :)