Quarta-feira, 14 de Dezembro de 2011
Rostos
Que rostos são estes que passam
Sombrios e distantes?
Que laços e limites os atam
À incerteza dos instantes?
Que rostos são estes que vejo
Na luz breve de um olhar?
Gente sem voz nem ensejo
Gente insulada a passar.
Vai sem rumo nem destino.
Seu caminho é caminhar.
Ao relento em desatino
Sem foz p’ra desaguar.
É gente que eu pressinto
Tão próxima do meu viver
E a culpa que hoje sinto
É como chaga a doer.
A dor que marca o momento
É tão grande que consome.
É vento forte, é tormento
É mal que não tem nome.
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19 comentários:
Querida amiga Lídia, não direi que estes versos são lindos, porque são tristes, mas sei a que a realidade de muita no mundo não é composta pela alegria, enfim, os versos são ótimos.
Um abração. Tenhas uma ótima noite.
São os rostos que vamos ver por aqui a diante minha amiga.
Amei por e simplesmente.
Beijinho e uma flor
A história da humanidade é feita de conquistas brilhantes e descasos horripilantes com outros humanos. Rostos sem identidade continuam nos perseguindo em meio à miséria que se lhes foi imposta; é nosso dever tentar dar uma identidade a eles, se quisermos um dia nos tornarmos humanos em sua plenitude.
Maravilha de poema, Lídia.
beijo.
Também eu sinto isto Lídia, tão bem dito por ti, assim.
São estes os rostos de uma geração, como dizes, "sem foz p´ra desaguar".
Beijinhos para ti.
São rostos que vivem...
Gostei da força dos versos e da imagem tão bem escolhida.
Um beijo carinhoso.
É gente sofrida, sem rumo, apenas existindo e não vivendo.
Belísimo e actual poema!
Bjs.
"É gente que eu pressinto
Tão próxima do meu viver
E a culpa que hoje sinto
É como chaga a doer."
É mal que não tem nome?
Tem, poeta tem.
E nós sabe-mo-lo bem...
[a peça de violino (que estou ouvindo), diz quase o que as suas palavras dizem. Mas elas me tocam mais]
rosto.. expressão do pensamento!
beijoo grande!
Essa cara flagelada
diz-nos mesmo sem voz,
que uma é a face olhada
e por dentro somos nós.
Beijinho
João
Quantas vezes, em meio a rostos que passam, sentimos essa mesma perplexidade?... Perplexidade que não sabemos expressar, pois falta-nos o dom da poesia, a sensibilidade, talvez, da alma dos poetas e que vemos aqui, nestes seus versos... Lindo!...
Beijos
Olá, Lídia:
Muito bonito, forte e importante,
que importa perguntar e gritar!
A contemplação inquieta do poeta perante os rios que parecem perdidos nas suas próprias margens. Este é o olhar demorado pelo interior silencioso das coisas.. um olhar peculiar no rosto de cada um, que por nos tocar dolorosamente a alma, nos obriga a questionarmo-nos sobre os cursos e percursos da humanidade.
Especial, como é sempre a tua poesia. Especial, como tu!
Um beijinho, Lídia
São rostos marcados pela angústia e pelo medo e revelam vidas, hoje, tão parecidas com as nossas... E nós, temos mãos impotentes, incapazes de alterar uma vírgula do seu percurso..
Um poema interrogante, belo na nudez da sua verdade e triste na marca que nos deixa.
Beijo
Graça
Maravilhoso, minha querida, e puramente verdade. Já não nos con hecemos mais.
beijos
Já tinha passado por aqui e comentado mas...há ventos que levam tudo!
Um poema inquietante, belo,mas que deixa pingos de angústia dentro de nós.
Beijo e votos de um Faliz Natal.
Graça
Fenomenal
Adorei, esses ventos....
CONVITE
Primeiro, eu vim ler o seu blogue.
Agora, estou lhe convidando a visitar o meu, e se possivel seguirmos juntos por eles. O meu blogue, é muito simples. Mas, leve e dinamico. palpitamos sobre quase tudo, diversificamos as idéias. mas, o que vale mesmo, é a amizade que fizermos.
Estarei grato, esperando VOCÊ, lá.
Abraços do
http://josemariacostaescreveu.blogspot.com
São gente que, como nós, sofre, de um modo ou de outro...apenas isso...se nos virmos ao espelho somos o nosso refelexo que vemos nesses rostos...
Bj
Rosto expressivo o da foto.
Às vezes quem vê caras vê corações...
Bonito poema.
Bjs
Lídia,
A realidade é dura, por vezes cruel, muitas vezes frustrante...
Mas também nesse olhar há poesia, e da boa.
Beijo :)
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