"O poema me levará no tempo / Quando eu já não for / A habitação do tempo / E passarei sozinha / Entre as mãos de quem lê / - O poema alguém o dirá/ Às searas" - Sophia de Mello Breyner Andresen - Livro Sexto (1962)







Terça-feira, 24 de Janeiro de 2012

Quem me acorda agora?


Quem me acorda agora
Se não as primeiras violetas
Nos vasos?
Se não a luz rasa e roxa roçando
O parapeito da janela?

Quem me acorda agora
Se não o murmúrio magoado das árvores
Contra a lentidão das folhas
No frio dos ramos?

Quem me acorda agora
Se não a música deserta nas fontes distantes
Onde verdejam promessas?

Quem?
Se não o vento na agitação febril das mãos?
Se não o vento
A fazer durar este fino veio de água
Na raiz branca e sedenta do sonho

Até ao derradeiro instante
Das horas crepusculares.

21 comentários:

A.S. disse...

Sempre deliciosos os teus poemas Lídia!

Mudei de casa...:) serás sempre bem vinda!

Abraço!
AL

Rogério Pereira disse...

Não, não comento
o que me soube a tanto
(não quero quebrar o encanto...)

Mona Lisa disse...

A Primavera...

Parabéns pelo belíssimo poema!

Bjs.

Maria disse...

Um acordar suave e cheio de aromas. De que gosto. Como gosto do meu acordar, com o barulho das ondas do meu peito a rebentar na areia onde me espraio.

Um beijo.
(o teu livro é uma beleza.
mas isso eu já sabia...)

Dilmar Gomes disse...

Amiga Lídia, bonito e denso este poema.
Um abração. Tenhas uma boa noite.

Maria João disse...

O poeta sabe, que a promessa tem a cor de um poema que assim se escreve, nesse movimento persistente do vento que faz com que as pálpebras se ergam, a uma luz que renasce todas as manhãs. O poeta sabe...

Um beijinho, Lídia

OceanoAzul.Sonhos disse...

Li e senti, palavra a palavra, acompanhada por esta lindíssima musica.

Muito bom Lídia...
beijos
cvb

heretico disse...

poesia de grande qualidade literaria. gosto muito...

belo momento.

beijo

Domingos Barroso disse...

acordemos então com o olhar debruçado sobre tuas violetas
...

beijo carinhoso.

Jorge disse...

As violetas e o seu aroma transmitiram-nos a sabedoria deste belo poema.
Bj
J

Jaime A. disse...

Senti uma estranha paz ao ler este poema, uma tranquilidade do abandono nessas horas crepusculares... assim se fica a paisagem do sonho.

Rosa dos Ventos disse...

Como sempre de uma extrema beleza!
Este ano as violetas ainda não apareceram no meu jardinzinho!

Abraço

Parole disse...

Um acordar poético.
Belíssimo!

Bjs

BRANCAMAR disse...

Mais uma vez estou em sintonia com o Rogério, ele diz não quero e eu digo não sei comentar. Este é um daqueles poemas que apenas sei sentir e é tanto...!

Só comento a imagem porque adoro violetas e a árvore florida por fora da janela e adoro janelas qe nos abrem horizontes, como esta.

Beijinhos Lídia.
Branca

Mel de Carvalho disse...

O despertar das violetas, a cor purpura dos sonhos a anunciar a Páscoa que se aproxima...
Tudo é breve, Lídia, e tudo caminha para um tempo em que apenas as coisas ditas inanimadas nos abraçam além da vida. Ficam as palavras, ficam poemas intemporais, belos, sensíveis, como este, como são, sempre, mas sempre, os teus...

Beijo, minha amiga
Gratidão
Mel

Isabel disse...

E não é uma bela forma de acordar?

Mateus Medina disse...

"Se não o vento
A fazer durar este fino veio de água
Na raiz branca e sedenta do sonho"

Lindo =)

E eu, com a minha mania de "unir" as artes, se fosse capaz de pintar, pintaria um belo quadro disso...

bjos

Antônio Lídio Gomes disse...

E nesse lirismo, acordar com mais inspirações.
Abraços.

Sonhadora disse...

Minha querida

Vou em silêncio...as minhas palavras emudeceram perante a grandiosidade das tuas.

Deixo um beijinho com carinho
Sonhadora

JOSÉ RIBEIRO MARTO disse...

Quem , quem ?
Grande beleza , grande, densa e cuidada poesia .
Um prazer , passar e ler devagarinho .

José

lis disse...

Maravilhosa poesia doce poeta Lídia Borges!
e ... quem me acorda??
estou sempre em horas crepusculares rs

abraço