Sobre
o poema um céu de chumbo.
O bulício de passos e vozes por ruelas e calçadas
fazem
estremecer os versos.
Vinha o
poema repleto de barcos e rios
e
praças com cheiro a peixe e a pregão
mas
a cada gesto de dádiva
nenhuma
mão se estendia
nessas
ruas de gente dispersa
por
onde o poeta seguia.
Foi
quando o viu. As barbas grisalhas
caindo
no peito, a cabeça a tombar para trás,
braços
e mãos tateando o ar sem rumo nem jeito.
Subitamente
o poeta estacou.
Rabiscou,
rasurou, reescreveu
até
que, saídos do poema
soaram,
festivos, os latidos de um cão.
No
rosto do homem uma centelha brilhou
-
Lázaro!... Lázaro!...
O
poeta pousou-lhe nas mãos o poema
que
abanava vigorosamente a cauda
e
saltava e ladrava em desarvorada alegria.
Duas
lágrimas rolaram
dos
olhos cegos do homem
e
da sua voz embargada
um
profundo suspiro:
Há tanto tempo que eu o procurava,
meu sol, meu respiro!
***
Ia
acrescentar que o Sol atravessou
a
espessa camada de nuvens e brilhou.
que o Sol, só em poemas do Sublime
se
apercebe da pesada solidão dos homens.
(imagem: pesquisa Google s/ ind. autoria)

2 comentários:
Apetece roubar e assinar. Qual plágio? Seguir o trilho, apenas.
Foi bom o encontro em Braga, mesmo à distância.
Beijinho.
Foi bom o encontro em Braga, Teresa. Tive pena de não ter podido ficar um pouco mais para "socializar". Haverá outras oportunidade, por certo.
Um beijo
Lídia
Enviar um comentário