sábado, 28 de fevereiro de 2009

Foi para ti que criei as rosas
Foi para ti que lhes dei perfume
Para ti rasguei ribeiros
e dei às romãs a cor do lume.
Eugénio de Andrade

Eugénio de Andrade

Gosto da poesia de Eugénio de Andrade de uma forma quase carnal.
Quando diz água, vejo-a serpentear por entre rochas lavadas, quando diz terra ouço as sementes germinar em estalidos lentos, quando diz nuvem, fonte ou montanha ou rosas… sinto, ouço, cheiro, vejo, vivo…

Primavera


Chegaste.
Trazias no rosto
Manhãs de Primavera,
Nos olhos
Brisas suaves,
Nos dedos
Raios de Sol!

E eu, árvore só,
Segurei-te as mãos
(Ou foste tu a segurar as minhas?)
E uma festa de seiva jorrou.
Enchi-me de folhas verdes,
De flores,
De ninhos à espera…


Quando acordei
Era Inverno. Chovia!
Não tinha chegado, ainda
A Primavera!

sexta-feira, 27 de fevereiro de 2009

Magnólia


Recolho com o olhar um Outono cor-de-rosa, em manhã de Primavera e não sei, se é euforia ou tristeza, o que vejo da janela.

quinta-feira, 26 de fevereiro de 2009

Poema de despedida

Não saberei nunca dizer adeus
Afinal, só os mortos sabem morrer

Resta ainda tudo, só nós não podemos ser

Talvez o amor, neste tempo,
seja ainda cedo

Não é este sossego que eu queria,
este exílio de tudo, esta solidão de todos

Agora não resta de mim
o que seja meu
e quando tento o magro invento de um sonho
todo o inferno me vem à boca

Nenhuma palavra alcança o mundo, eu sei
Ainda assim,
escrevo


MIA COUTO

Searas de Versos

Gosto de ver os versos ondulantes ao sabor do vento...
Sem regras. Livres como searas de trigo, em mar de oiro.