Gosto da poesia de Eugénio de Andrade de uma forma quase carnal. Quando diz água, vejo-a serpentear por entre rochas lavadas, quando diz terra ouço as sementes germinar em estalidos lentos, quando diz nuvem, fonte ou montanha ou rosas… sinto, ouço, cheiro, vejo, vivo…
Chegaste. Trazias no rosto Manhãs de Primavera, Nos olhos Brisas suaves, Nos dedos Raios de Sol!
E eu, árvore só, Segurei-te as mãos (Ou foste tu a segurar as minhas?) E uma festa de seiva jorrou. Enchi-me de folhas verdes, De flores, De ninhos à espera…
Quando acordei Era Inverno. Chovia! Não tinha chegado, ainda A Primavera!