terça-feira, 30 de junho de 2009

mariposa

Esta manhã gostaria de te acordar,
ternamente
e de te oferecer os primeiros raios de sol.
Os mais suaves e delicados
para que passeasses entre eles

E te banhasses
na sua alva luminosidade
até ficares resplandecente,
coroado de vida, de luz, de calor.

Então eu,
mariposa incolor
repousaria no teu ombro,
invisível...

segunda-feira, 29 de junho de 2009

"Mimarte"

Impensável não falar do "Mimarte"

O “Mimarte” é um festival de teatro que decorre em Braga de 26 de Junho até 5 de Julho.
Trata-se de um certame que tem como primeiro objectivo aproximar o teatro do espírito popular.
Uma dezena de trabalhos dramáticos, do popular ao erudito, do clássico ao contemporâneo, comédia ou tragédia, protagonizados por grupos provenientes de todo o país e de Espanha, constituem o cartaz desta décima edição.
O Município de Braga programa o festival nos núcleos urbanos tradicionais, como o rossio da Sé, o Theatro Circo e o Museu D. Diogo de Sousa, para que neles aconteça uma relação de comunhão com o património e com o espírito popular que lhe dá sentido.
Este ano, por causa da chuva, há mais Theatro Circo.
A não perder.

"Dance Me To The End of Love" Leonard Cohen

sábado, 27 de junho de 2009


A noite foi escorregando mansamente, pelo branco dos muros até que os apagou.
Nos olhos e nos dedos a carícia emudece, até que o voo das aves toque ao de leve, o entardecer de um outro dia.

quinta-feira, 25 de junho de 2009

Desta janela tela,
rectângulo azul de céu
seduz-me o flutuar das nuvens
Castelos de algodão
em constante mutação.

São rostos distorcidos,
objectos indefinidos,
navios, carros, animais
e outras coisas que tais.

São agora, cortinas
que se abrem lentamente...
Eis um buraco de azul,
um sorriso
de repente

É lura do astro-rei.
Fico a ver se ele aparece
mas tudo de novo entristece.
São as nuvens que se fecham
o sol não acontece

A luz nácar entontece.
Já vislumbro radiante,
ao longe um arco-íris,
mas as pálpebras se alquebram
desligo a tela, vou dormir…

quarta-feira, 24 de junho de 2009

S. João

No dia de S. João
Levantei-me bem cedinho
Para comprar um balão
E ver o S. Joãozinho

Vai no carro dos pastores
Que é velha tradição
Desta cidade de Braga
Onde não vem a televisão

Para dar a conhecer
A dança medieval
Que toda a gente quer ver
Nesta terra sem igual

É o carro do Rei David
Doze homens mais o rei
Que vão tocando e dançando
Para o povo, para a grei.

Ainda pensei na crise
Mas ela desapareceu
Subiu no ar c’os balões
Que o S. João lhe encheu.

segunda-feira, 22 de junho de 2009

Versos mortos

Estou exausta!
Tenho andado a arrancar pela raiz
Como ervas daninhas
Os esquissos de poemas
que me afloram ao coração.

E são tantos!

Tenho o peito dilacerado,
Cheio de versos mortos.
Poemas em pedaços que rasguei
Antes que pudesse escrevê-los.

Não resistiriam
À luz incerta deste meu sol,
Sempre avariado.

domingo, 21 de junho de 2009

Alberto Caeiro

Todos os dias agora acordo com alegria e pena.
Antigamente acordava sem sensação nenhuma; acordava.
Tenho alegria e pena porque perco o que sonho
E posso estar na realidade onde está o que sonho.
Não sei o que hei-de fazer das minhas sensações.
Não sei o que hei-de ser comigo sozinho.
Quero que ela me diga qualquer coisa para eu acordar de novo.

sexta-feira, 19 de junho de 2009

Avenida

As cores espampanantes de um S. João em espera, ornamentam a avenida nos atavios iluminados que lá do alto prometem festa.
Os tambores e os gigantones, inertes, aguardam quem lhes dê o fulgor e a alegria que a farra exige. E no ar, já o cheiro doce das farturas se insinua!
O palhaço trabalha balões para pôr brilhos nos rostos das crianças. Os manjericos desejam desesperadamente, o momento de trocar aromas por carícias enquanto o coreto, ainda silencioso incha de orgulho, animado com a promessa de música nas Bandas que virão.
A cidade aguarda a festa numa ansiedade contida!
Mas por agora… Apenas a nostalgia de duas chávenas desertas sobre uma mesa de café abandonada.

quarta-feira, 17 de junho de 2009

Ausências


Não sei se a Ausência tem idade.
Há ausências (minhas) que nunca envelhecem. São novas, todos os dias!

segunda-feira, 15 de junho de 2009

Por pouco tempo

Houve um tempo em que eu corria desesperadamente atrás dos sonhos, sempre fugidios.
Movimento demais nos olhos, no corpo, na mente…
Uma canseira, um desassossego!

Depois fui aprendendo a realizar-me nos sonhos. Desprezei desejos e ignorei ansiedades, semeei sementes de paz anciã nas minhas searas.
Um silêncio, uma tranquilidade!

Desconfio que…
Começo a envelhecer.
Enfim!
Lá terá de ser!

Mas por pouco tempo que a velhice cansa e faz doer os ossos.

sexta-feira, 12 de junho de 2009

Lua

Já me dei tanto aos meus versos.
Já deles, tantos te dei.

E neles,
o céu, as montanhas
mil flores, o mar,
todas as cores…

Hoje,
o que te hei-de dar?
Talvez o quarto da lua
onde te vou encontrar
quando na noite escura
procuro o teu luar.

quarta-feira, 10 de junho de 2009

Um arco-íris de esperas!

Hoje só quero sentir coisas sublimes como flores e aves e sol e rios…
Não sei onde se ocultam as coisas sublimes porque no meu peito,
hoje
ainda nada se tomou de cores.
Sou uma tela imprecisa, onde a ausência de luz me ofende espalhando
seu manto deformado pelo meu rosto de sombras.
Mas hoje só aceito sentir coisas vivas que me conciliem com o dia.
Agarrá-lo, bebê-lo, vivê-lo...
Antes que a luz se recolha no silêncio das aves, nos rumores surdos dos rios, na sonolência das flores.
Antes que se dilua em mim esta sede das coisas sublimes
como flores e aves e sol e rios…

Antes que se dilua em mim
Este arco-íris de esperas!

domingo, 7 de junho de 2009

As amoras

O meu país sabe a amoras bravas
no verão.
Ninguém ignora que não é grande,
nem inteligente, nem elegante o meu país,
mas tem esta voz doce
de quem acorda cedo para cantar nas silvas.
Raramente falei do meu país, talvez
nem goste dele, mas quando um amigo
me traz amoras bravas
os seus muros parecem-me brancos,
reparo que também no meu país o céu é azul.

Eugénio de Andrade, O outro nome da Terra

sábado, 6 de junho de 2009

Deserto


Quando uma página em branco é um deserto ardente e silencioso que me oprime...
Quando uma página em branco é a imagem magoada de um barco inútil, sem mar
Ou uma voz vazia no eco das minhas razões…
Quando uma página em branco me intimida e me denuncia,
todos os meus ideais estão liquidados.
Só me resta deambular descalça por entre amarguras incandescentes e penas de perdição.

quinta-feira, 4 de junho de 2009

CHORO D´ÁGUA

A água chora. Cai,
Flor efémera,
Em súbita rosácea

A água sobe como um caule
Ao nível da sede
E desço como um sol
Aos apelos do mar.

A água é um enigma.

Como o explicar
sem ir ao fundo

Cláudio Lima in "Vate do Reino"

terça-feira, 2 de junho de 2009

Um dia a despedida chega

Um dia, a despedida chega.
Fica tão perto que podemos
olhá-la nos olhos
da sua indiferença.
Fica tão perto que nem se lhe vê a distância
que traz em si.

Nós estranhamos porque esperamos ainda
o tempo dos sonhos vestidos de verão
que estão por sonhar.

Mas das promessas que eles criaram
restam apenas as últimas lágrimas.

Então o mundo emudece
nos desabafos inúteis
do nosso descontentamento.

Um dia, a despedida chega
no olhar triste
que um adeus poisa em nós.

segunda-feira, 1 de junho de 2009

Dia da Criança


Hoje é dia do sol aparecer
Para aquecer a brincadeira
É dia do palhaço, do balão
E do gelado “à maneira”

É dia de birras perdoadas
De sorrisos
Nas boquinhas desdentadas
É dia de espalhar a alegria
Em saquinhos enfeitados
Com flores de fantasia

É dia
De brincar no carrossel
De comer rebuçados
De fruta e mel

Para mim
É dia de não ter idade
De regressar ao passado
À infância, à liberdade