quarta-feira, 1 de dezembro de 2010

Luz


Amo este silêncio roxo a tombar das nuvens
a serenidade que a noite veste
no seu aproximar-se
lento e manso

Amo esta luz que se derrama sobre as coisas
tomando-as para si
em reflexos violáceos e frios

Bebo-a, licor suavizante que sobra do dia
ou volúpia do luar no horizonte
Nem sei

E o meu canto é fruído e límpido
Corre como um rio
nas veias dos meus sentidos
imensidão de amena penumbra
E colho lírios em toda a parte

A vida já não me magoa
e a morte
nada pode contra mim

Lídia Borges

36 comentários:

AC disse...

Lídia,
Essa é uma luz efémera, pouco duradoira, mas que, enquanto dura, parece conjugar os segredos das coisas, revelando-os momentaneamente enquanto a luz passa o testemunho à sombra...

Beijo :)

alma disse...

Lidia,

O tempo escasseia devido ao trabalho, mas vir até aqui é saciar-nos de emoções-

Como sempre...momentos, que mesmo com sombras, estão cheias de luz.

bj

Pedro Gaivota disse...

Perante este seu texto, desejei ser iletrado.

Talvez fosse mais fácil justificar a atrofiante incapacidade, que me consome, de verbalizar o que sinto e vejo.

Parabéns pela sensibilidade e pela magnífica escolha das palavras.

Continuarei a visitá-la para usufruir desse seu dom.

Ricardo Valente disse...

Contemplar, sem observar. Deixar expandir. Percepção fugidia e marcante. Inspira o poeta!
Beijo

Ana SSK disse...

As vezes tenho relâmpagos de consciência, que são mais ou menos assim...

Flor da Vida (Suelzy Quinta) disse...

Amiga, seus versos sempre lindos e tocantes... É com imenso prazer que venho te ler. Deixo carinhos meus a ti... Bjsss

Graça Pereira disse...

Se nos pudessemos enxertar na luz...a noite seria muito mais clara!
Belo poema neste final de Outono.
beijo
Graça

poesia del cielo disse...

luz ela motiva anima faz viver... con ela vemos todo de uma manera tao clara y real...

bela imagen .... bela inspiracao...

saludos
linda semana
abracos

Unknown disse...

Um poema de contra-luz.
Límpido e sereno como o anoitecer.
A alma que sobra da morte e vive para além do desconhecido onde a morte não terá mais poder.
Beijinhos

angela disse...

Tem muitos momentos que desejo isso, essa serenidade diante do fim, mais que isso é o desejo que a vida não me machuque mais e que possa desfrutar da beleza do por do sol. Na contradição fica a difícil renuncia ao calor e a luz do sol.
beijos

Mona Lisa disse...

Olá Lídia

Cada vez mais amo o silêncio...

Amo a tua poesia!
Parabéns!

Bjs.

Anónimo disse...

Muitas vezes, é preciso morrer em si mesma para que a alma combalida possa renascer das cinzas das horas...
Pude seguir o crepúsculo e o despontar da Lua a cada nuance do entremear de luzes, cores e sombras...
Lindo

Anónimo disse...

Lindos: poema e foto!

Beijo.

Unknown disse...

Passar por aqui é iluminar a alma.

Beijo.

Sempre disse...

"A vida já não me magoa
e a morte
nada pode contra mim"
Tão intenso que arrepia. Adorei. Bj ;)

piedadevieira disse...

Concordo com o Manuel Marques: passar por aqui sempre ganhamos.
Beijos

rosa-branca disse...

Gostei dessa luz na luz do silêncio. Lindo. Beijos com carinho

Mª João C.Martins disse...

Lídia, este é o sabor do sossego de todas as coisas dentro de nós. Não dura para sempre... mas é bom!

Um beijinho

Virgínia do Carmo disse...

Belíssimo, Lídia, este ocaso de palavras...

Beijinho

MariaIvone disse...

Bonito o seu poema de anoitecer no Outono, quase Inverno.
Adorei a forma como usou as cores para nos transportar ao seu sentir. E conseguiu!

Bjos

A.S. disse...

Há uma luz incógnita, que nos transcende. É essa luz que nos acompanha e nos trás a paz definitiva do mundo dos sonhos que se perderam!
Belo o teu poema!!!

Beijos
AL

Rosa dos Ventos disse...

A eternidade frente à beleza!
A beleza das palavras num poema...

Maria Rodrigues disse...

Amiga um poema nostálgico que toca a alma de quem lê, lindo!
Tenha um fim-de-semana cheio de paz e felicidade.
“Não existe um caminho para a felicidade. A felicidade é o caminho.” (Mahatma Gandhi )
Beijinhos
Maria

Állyssen disse...

Amo td que seja roxo... o por-do-sol arroxeado me fascina!

Postei um poema no blog Repouso das Letras, venha ver

http://repousodasletras.blogspot.com/2010/12/um-passeio-predileto.html

Bjo bjo, querida!!!

Álly

Lilá(s) disse...

Difícil comentar poemas tão sensiveis e tocantes!
Beijinhos

TITA disse...

Beber a luz que se derrama sobre as coisas ,não será por si só sede de infinito?Lídia,perigosamente belo este seu poema pleno que luz que se espalha a quem o lê.Obrigado.Um abraço.

OutrosEncantos disse...

"... a vida já não me magoa..."
:))) entendo, sei o que é...

"a.mor.te
nada pode contra mim"
:))) não sei se concordo contigo, acho que não.

a luz, essa sim, mesmo que efémera, é doce e perpétua.

Beijo.

UBIRAJARA COSTA JR disse...

Esta é a chegada a uma etapa preciosa da vida, quando essa mesma vida já não magoa e a morte não mais assusta...
Beijos

E.A. disse...

Recordou-me aquele poema de Eugénio de Andrade, igualmente belo:
"Nada podeis contra o amor,
contra a cor da folhagem,
contra a carícia da espuma,
contra a luz, nada podeis.
Podeis dar-nos a morte, a mais vil,
isso podeis - e é tão pouco!"
Um beijinho

Carmo disse...

Querida Lidia, um excelente poema para este final de tarde invernosa, mas atenta á chegada da "luz que se derrama sobre as coisas"

Um beijo e boa semana

poetaeusou . . . disse...

*
sublime poema,
onde as dores correm no rio,
porque tu és indolor,
e as tuas veias
são fluidos etéreos !
,
Conchinhas,
,
*

Júlio Castellain disse...

...
Lídia, lindas letrinhas.
Encantam.
Meu abraço.
...

Jorge Pimenta disse...

rendo-me à beleza, à delicadeza e à sensibilidade deste teu blogue.
a vida já não magoar e a morte não se recear é ter tocado/ tocar a luz!

Jorge Pimenta disse...

música da banda sonora de "braveheart", verdade? :)

lupuscanissignatus disse...

fundo

e

fluido



*abraço*

Nilson Barcelli disse...

Lídia, amo o teu poema...
Sabes olhar, ver e sentir o que te cerca.
Daí que a vida já não te magoe e a morte
nada possa contra ti. Porque, depois de ti, continuarás viva nos teus excelentes poemas.
Um beijo, querida amiga.