
Amo este silêncio roxo a tombar das nuvens
a serenidade que a noite veste
no seu aproximar-se
lento e manso
Amo esta luz que se derrama sobre as coisas
tomando-as para si
em reflexos violáceos e frios
Bebo-a, licor suavizante que sobra do dia
ou volúpia do luar no horizonte
Nem sei
E o meu canto é fruído e límpido
Corre como um rio
nas veias dos meus sentidos
imensidão de amena penumbra
E colho lírios em toda a parte
A vida já não me magoa
e a morte
nada pode contra mim
Lídia Borges
36 comentários:
Lídia,
Essa é uma luz efémera, pouco duradoira, mas que, enquanto dura, parece conjugar os segredos das coisas, revelando-os momentaneamente enquanto a luz passa o testemunho à sombra...
Beijo :)
Lidia,
O tempo escasseia devido ao trabalho, mas vir até aqui é saciar-nos de emoções-
Como sempre...momentos, que mesmo com sombras, estão cheias de luz.
bj
Perante este seu texto, desejei ser iletrado.
Talvez fosse mais fácil justificar a atrofiante incapacidade, que me consome, de verbalizar o que sinto e vejo.
Parabéns pela sensibilidade e pela magnífica escolha das palavras.
Continuarei a visitá-la para usufruir desse seu dom.
Contemplar, sem observar. Deixar expandir. Percepção fugidia e marcante. Inspira o poeta!
Beijo
As vezes tenho relâmpagos de consciência, que são mais ou menos assim...
Amiga, seus versos sempre lindos e tocantes... É com imenso prazer que venho te ler. Deixo carinhos meus a ti... Bjsss
Se nos pudessemos enxertar na luz...a noite seria muito mais clara!
Belo poema neste final de Outono.
beijo
Graça
luz ela motiva anima faz viver... con ela vemos todo de uma manera tao clara y real...
bela imagen .... bela inspiracao...
saludos
linda semana
abracos
Um poema de contra-luz.
Límpido e sereno como o anoitecer.
A alma que sobra da morte e vive para além do desconhecido onde a morte não terá mais poder.
Beijinhos
Tem muitos momentos que desejo isso, essa serenidade diante do fim, mais que isso é o desejo que a vida não me machuque mais e que possa desfrutar da beleza do por do sol. Na contradição fica a difícil renuncia ao calor e a luz do sol.
beijos
Olá Lídia
Cada vez mais amo o silêncio...
Amo a tua poesia!
Parabéns!
Bjs.
Muitas vezes, é preciso morrer em si mesma para que a alma combalida possa renascer das cinzas das horas...
Pude seguir o crepúsculo e o despontar da Lua a cada nuance do entremear de luzes, cores e sombras...
Lindo
Lindos: poema e foto!
Beijo.
Passar por aqui é iluminar a alma.
Beijo.
"A vida já não me magoa
e a morte
nada pode contra mim"
Tão intenso que arrepia. Adorei. Bj ;)
Concordo com o Manuel Marques: passar por aqui sempre ganhamos.
Beijos
Gostei dessa luz na luz do silêncio. Lindo. Beijos com carinho
Lídia, este é o sabor do sossego de todas as coisas dentro de nós. Não dura para sempre... mas é bom!
Um beijinho
Belíssimo, Lídia, este ocaso de palavras...
Beijinho
Bonito o seu poema de anoitecer no Outono, quase Inverno.
Adorei a forma como usou as cores para nos transportar ao seu sentir. E conseguiu!
Bjos
Há uma luz incógnita, que nos transcende. É essa luz que nos acompanha e nos trás a paz definitiva do mundo dos sonhos que se perderam!
Belo o teu poema!!!
Beijos
AL
A eternidade frente à beleza!
A beleza das palavras num poema...
Amiga um poema nostálgico que toca a alma de quem lê, lindo!
Tenha um fim-de-semana cheio de paz e felicidade.
“Não existe um caminho para a felicidade. A felicidade é o caminho.” (Mahatma Gandhi )
Beijinhos
Maria
Amo td que seja roxo... o por-do-sol arroxeado me fascina!
Postei um poema no blog Repouso das Letras, venha ver
http://repousodasletras.blogspot.com/2010/12/um-passeio-predileto.html
Bjo bjo, querida!!!
Álly
Difícil comentar poemas tão sensiveis e tocantes!
Beijinhos
Beber a luz que se derrama sobre as coisas ,não será por si só sede de infinito?Lídia,perigosamente belo este seu poema pleno que luz que se espalha a quem o lê.Obrigado.Um abraço.
"... a vida já não me magoa..."
:))) entendo, sei o que é...
"a.mor.te
nada pode contra mim"
:))) não sei se concordo contigo, acho que não.
a luz, essa sim, mesmo que efémera, é doce e perpétua.
Beijo.
Esta é a chegada a uma etapa preciosa da vida, quando essa mesma vida já não magoa e a morte não mais assusta...
Beijos
Recordou-me aquele poema de Eugénio de Andrade, igualmente belo:
"Nada podeis contra o amor,
contra a cor da folhagem,
contra a carícia da espuma,
contra a luz, nada podeis.
Podeis dar-nos a morte, a mais vil,
isso podeis - e é tão pouco!"
Um beijinho
Querida Lidia, um excelente poema para este final de tarde invernosa, mas atenta á chegada da "luz que se derrama sobre as coisas"
Um beijo e boa semana
*
sublime poema,
onde as dores correm no rio,
porque tu és indolor,
e as tuas veias
são fluidos etéreos !
,
Conchinhas,
,
*
...
Lídia, lindas letrinhas.
Encantam.
Meu abraço.
...
rendo-me à beleza, à delicadeza e à sensibilidade deste teu blogue.
a vida já não magoar e a morte não se recear é ter tocado/ tocar a luz!
música da banda sonora de "braveheart", verdade? :)
fundo
e
fluido
*abraço*
Lídia, amo o teu poema...
Sabes olhar, ver e sentir o que te cerca.
Daí que a vida já não te magoe e a morte
nada possa contra ti. Porque, depois de ti, continuarás viva nos teus excelentes poemas.
Um beijo, querida amiga.
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