quinta-feira, 2 de maio de 2013

Um lamento branco


                                                                                                                                                                               Annenkov


Um lamento branco 
sob a luzência azulada e fria - a neve. 
Não sei se sonhava
nunca a vira cair tão macia
sobre a  dureza do dizer ausência.
As árvores estranham-te os passos.
Entreolham-se à tua passagem 
agitando nevrálgicas interrogações.
Sem que os passos toquem o solo, tu passas. Flutuas, leve
como se tudo te fosse íntimo e profundamente natural.
Não sei se sonhava.

Em avalanche os sentimentos 
Metade vigília metade medo
Balança oscilante no mais ínfimo sopro da aragem.


Não perderás a lembrança do meu abraço,
dos sons da casa, do cheiro telúrico deste chão,
do caminho sempre liso do retorno. 
Sei-o pelas raízes. 

Robustecidas à força da distância, as raízes!... 





19 comentários:

Mateus Medina disse...

E só raízes bem fincadas garantem certezas assim.

Bjos!

AC disse...

Um lamento que toca bem fundo.
Gostei muito, Lídia!

Beijo :)

Rogério G.V. Pereira disse...

Teu poema faz-me lembrar
o momento
em que elegemos para cumprimento
o gesto de abraçar

Os bracitos do Diogo
ainda não me envolvem todo...
mas ele está crescer

Temo-nos que preparar
As raízes só funcionam se forem desenvolvidos os afectos

Laços e Rendas de Nós disse...


Sem lamento(s), as raízes sustêm sempre o (nosso) retorno...

Beijo

Laura

ana disse...

A melancolia do branco pode acalentar o silêncio.
Muito bonito.
Beijo. :)

Mona Lisa disse...

...branco, suave, mas profundo.

Magnífico poema!

Beijinhos.

Sandra Subtil disse...

Há voos inevitáveis. Mas são as raízes que garantem o regresso e o saber pousar.

Beijo com admiração

Mar Arável disse...

Os lamentos não têm côr

são brancos

Bjs

vieira calado disse...

Muito belo, o seu poema!
beijinhos!

Unknown disse...

Não perdemos nunca nada se as raízes e os afetos são profundos.
Beijo.

Unknown disse...

as raízes nos são: o chão



beijo

marlene edir severino disse...

"Robustecidas à força da distância, as raízes!...

Não perderás a lembrança do meu abraço,"

Pungente!

Beijo!

Flor de Jasmim disse...

Profundo este lamento, as raízes serão sempre uma esperança de retorno!
Bom fim de semana querida

beijinho e uma flor

José Leite disse...

Sensibilidade pura, estética e clarividência...

a lucidez também é uma raiz que suporta a árvore existencial!

Unknown disse...

Poema melancolicamente belo, com a neve cobrindo o solo, mas não evitando a voz saudosa e amante e presente das raízes das árvores.

Catarina disse...

Muito bonito, Lidia.
bjos

Emília Simões disse...

Belas as palavras como a música que as envolve. Magnífico poema. Beijnho. Ailime

Isabel disse...

É bom ter a certeza de haver um lugar para voltar.
A imagem é muito linda, como sempre. E o brinquedo na janela...
Muito bonito!
Um beijo
Boa semana!

Manuel Veiga disse...

a aguda dor das raizes. na sublimação da seiva - que alimenta.

belíssimo.