domingo, 8 de setembro de 2013

fulgurações de outono em lamento lateral da página

                                                                                                                  Wyeth

tudo não passou de um momento
efémero
breve névoa
bocejo de sol
suspiro de brisa

enrolar-me na folha seca
que se despediu agora mesmo
de um ramo da pereira
em súbita agitação

adormecer alheia
ao alarido dos pássaros sobre o doce maduro 
das pêras por colher
ao zunido aflito dos insectos
a embater difuso no fundo do verão
adormecer.

germinar no sono solar
na sombra da chuva
despertar árvore erva flor
da raiz sumida no silêncio

numa estreita faixa de luz
semelhante a um beijo do sol
pousar um brado de júbilo
um desejo de infinito
renascer

breve névoa
bocejo de sol
suspiro de brisa
acontecer


14 comentários:

marlene edir severino disse...

Estás bem presente neste momento
com teu poema.
Belo!

E a vida não passa de instantes em que temos que estar.

Beijo, poeta!

deep disse...

Um poema que sabe e cheira a Setembro!
Um beijo e votos de boa semana. :)

ONG ALERTA disse...

Um recolher aos pensamentos...
Beijo Lisette.

Unknown disse...

só o título bastaria, mas o poema é pleno


beijo

Anónimo disse...

Gostei!
A magnitude do breve!
Participar com alma da beleza simples da vida!
Bji

dade amorim disse...

A palavra mágica: renascer!

Beijo, Lídia.

© Piedade Araújo Sol (Pity) disse...

pode ter sido um momento.
mas ficou na memória e deixou cicatriz.
boa semana.
beijo

Laços e Rendas de Nós disse...


A brevidade captada! Belíssimo!!

Beijo

Laura

Mar Arável disse...

Vagarosos instantes

Bjs

Anónimo disse...

Só quem sabe que irá renascer, vive tão intensamente esses breves momentos.

Muito belo, Lídia.

Beijo.

Armando Sena disse...

A Lídia promove o verdadeiro prazer da leitura.
Um bálsamo.
bj

Emília Simões disse...

Olá Lídia, absolutamente fabulosa a sua poesia. As minhas palavras são parcas para expressar o quanto admiro o seu estilo poético. Beijinhos Ailime

Graça Sampaio disse...

Uma beleza esta teia de palavras! A última estrofe é uma renda tecida com linha 60....

Beijinhos

AC disse...

Pequenos momentos que tocam profundas teclas.
(E sentimo-nos deslizar no poema...)

Beijo :)