segunda-feira, 15 de agosto de 2016

Cinza


tenho pavor desta noite
estendida pelas encostas

aflige-me a morte do sol
e o nevoeiro emergindo
das raízes carbonizadas.
tenho medo desta cinza
que me seca a seiva dos olhos

vou em sentido contrário ao do poema
passo ligeiramente ao lado do verbo
em agonia…
não encontro o chão
onde as árvores dão frutos
onde as flores deslumbram
e as águas mais matinais
cantam...
não encontro!

o que nomeio perde-se do nome
entre cinzas. ignoro como
sobrevém a derivação.

retomo o caminho para dentro
devagar, sobre a verdura
de uma palavra-pássaro
parada no meio de um poema-pedra.



1 comentário:

Rogério G.V. Pereira disse...

tem tanto de belo
como de triste
como se a tristeza
com uma simples palavra-pássaro
se enchesse de beleza

poema-asa
mais
que poema-pedra