domingo, 4 de setembro de 2016

Dispersões



 
deixaste as palavras 
a congeminar veludos longe da voz

pretendias que desenhassem
uma rosácea de sol em torno do orvalho
um relógio de água no rosto azul
dos teus sonhos 
[de que matéria é feita uma voz sem som?]
  
possuíssem as palavras o dom das harpas
haveriam de restituir aos teus olhos túrbidos
a música em seu melhor vestido de noite.


 (Imagem: Michel Lukasiewicz)

1 comentário:

Graça Pires disse...

A tua poesia diz-me que o que acontece dentro dela acontece dentro de mim. Gosto muito do que escreves.
Um beijo, Lídia.