deixaste as palavras
a congeminar veludos longe da voz
pretendias
que desenhassem
uma
rosácea de sol em torno do orvalho
um
relógio de água no rosto azul
dos teus sonhos
[de que matéria é feita uma voz sem som?]
[de que matéria é feita uma voz sem som?]
possuíssem as palavras o dom das harpas
haveriam
de restituir aos teus olhos túrbidos
a
música em seu melhor vestido de noite.
(Imagem: Michel Lukasiewicz)

1 comentário:
A tua poesia diz-me que o que acontece dentro dela acontece dentro de mim. Gosto muito do que escreves.
Um beijo, Lídia.
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