sexta-feira, 14 de outubro de 2016

Clausura

Morteza Katuzian


um corpo mirra à boca do inverno.
mineral.

um cheiro verde de limos
o rumor da água correndo. dizê-lo
com que sóis com que sombras
com que margens?

uma clausura de aves
em revoada sobre o poema. ardendo.

palavra mínima a soletrar 
titubeante
a vastidão branca
da solidão.





 

1 comentário:

AC disse...

A dimensão dum poema, na maior parte das vezes, dispensa muitas palavras, guarnecendo-se apenas do essencial. Mas isso requer talento, ao alcance de poucos.
Obrigado, Lídia, por mais um momento maior.

Um beijinho :)