quarta-feira, 19 de outubro de 2016

"Ondeando"

        
     Foi um dia inteirinho... Mais mar que fosse, de tão belo navegar!
     Falo do Colóquio Internacional Maria Ondina Braga que decorreu no passado dia 14, em Braga.

    Ver Maria Ondina na mira de universidades e investigadores, poder local, mecenas e leitores atentos é muito animador para quem se vai desgostando dia a dia destas coisas das letras e da cultura, reduzidas à triste condição de espetáculo.

   Foi um dia pleno de poesia pelo rigor das comunicações que trouxeram à luz muitos aspetos da obra de Ondina que passam despercebidos ao leitor comum. São visões/perspetivas que paulatinamente vão preenchendo hiatos na compreensão da escrita desta autora bracarense que é, ainda hoje, até para muitos dos seus conterrâneos, não mais que uma ilustre desconhecida.
    No Museu Nogueira da Silva, assistimos a um encontro maravilhoso com Maria Ondina, através das releituras da sua obra, dos distintos olhares que nela se configuram. Só alguém com uma experiência vivencial “errante e cosmopolita” que atravessa várias culturas e continentes pode captar com tal sensibilidade e mestria o “Diverso” sem se perder das raízes.
    Lê-se, a dado momento, no Boletim (Resumo das comunicações) do Colóquio que nos foi facultado à entrada:
«Uma escrita memoralista, valorizadora de temas como a solidão e a intimidade, o tempo e a memória, o lugar e a voz das mulheres, mas também a viagem e a descoberta do outro.»


  Aos que deste modo tão empenhado lutam para que a obra de Ondina Braga não desapareça nas dobras do tempo, o meu bem-hajam!

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