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o luar
acorda o poema e ele fica
iluminado.
vê-se melhor do que é feito.
há
manchas negras e gente desvalida nas
vielas
escuras dessas estrofes sombrias.
há gritos
de ódio e de terror
e muros levantados
contra o sofrimento e o pesar.
há raiva
em gargantas de todas as línguas
e homens
escravos de todas as cores.
coroados pela
tirania
os senhores do nada e da cobardia
exultam.
os senhores do nada e da cobardia
exultam.
o poema
estremece
ele não
estranha rajadas de vento,
rumorejos
de rio ou sussurros de brisa
mas
desampara palavras ferozes -
político, banqueiro, guerra, sangue, tubarão.
ele
despreza rendição.
o poema
aguenta peso e transparência
de
lágrima. às vezes até riso de crocodilo
e
despropósitos de poeta, o poema
aguenta.
o que ele não suporta
é tatear
no dorso do verso
o arrepio
constrito do medo
entrincheirado
nos
verbos por explodir nas entrelinhas.

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