terça-feira, 15 de novembro de 2016

"Luaridades"

imagem - google sem ind. autoria



o luar acorda o poema e ele fica
iluminado. vê-se melhor do que é feito.
há manchas negras e gente desvalida nas
vielas escuras dessas estrofes sombrias.
há gritos de ódio e de terror 
e muros levantados
contra o sofrimento e o pesar.
há raiva em gargantas de todas as línguas
e homens escravos de todas as cores.
coroados pela tirania
os senhores do nada e da cobardia 
exultam. 

o poema estremece
ele não estranha rajadas de vento,
rumorejos de rio ou sussurros de brisa
mas desampara palavras ferozes -
político, banqueiro, guerra, sangue, tubarão.
ele despreza rendição.

o poema aguenta peso e transparência
de lágrima. às vezes até riso de crocodilo
e despropósitos de poeta, o poema aguenta. 
o que ele não suporta
é tatear no dorso do verso
o arrepio constrito do medo
entrincheirado
nos verbos por explodir nas entrelinhas. 




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