imagem: pesquisa google s/ ind. autoria
Amamos esta estrada,
murmúrio terno
do tempo, vertical,
desfeito em
água. Sobre o porvir
teríamos ainda
o que dizer, eu sei,
"mas quem, do outro lado, nos ouviria"?
"mas quem, do outro lado, nos ouviria"?
Deixemos que o silêncio cresça.
Que os
contornos e arestas
dos poemas imperfeitos
se desvaneçam em lume brando
dos poemas imperfeitos
se desvaneçam em lume brando
até à cinza.
Seremos assim
sem desejos, sem amor
nem saudade, mais
breves, mais livres.
E a Poesia aliviada
do peso insuportável
da palavra,
infinitamente mais pura.
Deixemos, pois,
crescer o silêncio.
Que tome a
cidade dormente
com suas mãos
frias, crisântemos brancos
a abrir no meio
da noite
como um luar
triste
caído nos escombros.

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