quarta-feira, 28 de dezembro de 2016

Rio

GenieGooey

Quebradiço, o timbre do violino
feito de água e vidro,
rio de comovida serenidade.

Ninguém diria que há um poema
entre o coração e o pensamento
a aguardar construção.

Para começar, tirem-me daqui
este barro amassado em sangue,
esta argamassa grossa e áspera,
esta febre indomável do mundo
ao contrário.

Quero um poema como uma casa aquecida
uma canção de embalar, o cheiro a café
a terra húmida, um balido do vento, lá fora,
a música por dentro do teu olhar
feito de água e vidro.

Serenidade comovida… Rio.





2 comentários:

Rogério G.V. Pereira disse...

(Muito belo, isto!)

Fê blue bird disse...

Amiga e poeta Lídia.

Está a ser difícil fazer poesia quando tudo à nossa volta está "de pernas para o ar", saliento a sensibilidade na escolha da imagem.
Mas quando o coração da poeta " RI" o poema nasce e acontece para deleite de quem o lê.
Desejo-lhe um Ano Novo repleto de harmonia e paz, que consiga realizar os seus sonhos e dividi-los com quem ama.

Um beijinho com amizade