sábado, 25 de fevereiro de 2017

Boas CORRENTES em terra e no mar


A Póvoa de Varzim é mais bela em fevereiro. Ao encanto do mar e das gentes, junta-se o encanto das palavras, da Literatura. Assim o testemunhei hoje, um dia magnífico, a luz clara a cair como uma chuva benfazeja que, confesso, me andava a faltar.
Apaziguada a "ferida" do SEMPRE TUDO ESTEVE ESCRITO DESDE SEMPRE depois de ouvir os escritores/poetas, cheios de "Fé" em que, mais cedo ou mais tarde, saberão criar palavras novas para nomear as coisas que sempre atormentaram os homens e que essas palavras, as palavras do “por inventar”, nos levarão a todos à construção de um outro mundo, de outros mundos novos, foi no meu caso um lenitivo muito reconfortante e eficaz.
E qual é o meu caso?- perguntarão os mais curiosos. É mais ou menos assim:
9h da manhã - Para quê um poema mais?
Final do dia – Já se escrevia qualquer coisita, não? Ainda não “comi” nada hoje.

TODA A PALAVRA SERÁ SEMPRE UM JOGO POR INVENTAR e APENAS A CERTEZA DE QUE UM VERSO NÃO SALVARÁ NINGUÉM vieram complementar a minha reconciliação com a escrita, já que eu sou daquelas pessoas que escreve com as palavras, mas muitas vezes contra elas.

(Em maiúsculas, temas das mesas a que assisti)




 ***


Do meu caderno de notas:

A linguagem não serve para dizer o mundo, mas para o construir e isso é difícil porque o poeta é obrigado a usar as palavras dos outros, outras línguas na sua boca, como no poema de Nuno Júdice:

[…]
E volto a olhar a minha língua ao espelho. «É a língua do Camões, a língua do Pessoa…»
E sinto um sabor estranho na minha boca, ao saber que tenho lá dentro duas línguas, além da minha.
E se eu bater com a língua no céu da boca? É a minha língua, ou é a do Camões, ou é a do Pessoa, que vem bater no céu da minha boca?
E agarro na língua, para ver qual é a minha, e arrancar da minha boca as línguas que não me pertencem, e devem estar ressequidas de um e de mais séculos, se for e a do Camões e a do Pessoa.
É que eu não quero ter a maior língua do mundo; quero, apenas, que a minha língua esteja quietinha, sem complexos de grandeza, no lugar em que preciso dela para ir bater no céu da boca, sem ter de empurrar para o lado as línguas do Camões, do Pessoa, ou as dos outros duzentos milhões que fazem com que a minha língua seja a maior do mundo.





Sem comentários: