sexta-feira, 10 de fevereiro de 2017

De que astro?




Egon Schiele.


Um súbito apelo de água,
anémico,
percetível apenas no sulco
irregular da respiração.  
Ficar aqui em silêncio,
de mim própria despojada,
pedra exótica comovida
pela imprecisão da hera
no momento de abraçar.
De que astro a voz desse poema?
De que fogueira o frio no peito?
luzência que se lança para fora
fio de luz condenado a perecer 
humildemente na fonte
do fingimento.
Por isso as olheiras fundas,
o quebranto dos membros
o estafado brado tiritante
do vidro a quebrar-se…
a quebrar-se continuamente
contra o canto submerso do instinto.



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