domingo, 26 de março de 2017

"Mil Anos de Esquecimento"

    (pesquisa google s/ ind. autoria)

No declinar da tarde, com Afonso Cruz e o seu Mil Anos de Esquecimento / Enciclopédia da Estória Universal .  Na opinião de Ana Dias Ferreira, Time Out, «uma reunião de ficções, curiosidades, pensamentos morais e filosóficos, parábolas, provérbios orientais, mitos e leituras. Tudo misturado, de forma a deixar o leitor num permanente engano, dividido entre o que é facto e o que é ficção, que pensadores são verdadeiramente citados ou mero fruto da enorme criatividade do escritor.»

Criação da Terra

Um pássaro entrou pela janela do quarto
e Nós, para que ele pousasse,
dissemos uma árvore inteira,
e depois uma floresta inteira. 
E o pássaro pousou naquelas 
palavras e as árvores começaram 
a dar um fruto amarelo 
a que Nós chamámos Sol, e houve
dias que começaram a despontar do chão
e cresceram até terem a altura de anos
ou de pássaros a voar ou de planetas.
Foi quando nasceu o Universo,
foi quando nós criámos o Universo.

(fragmentos Persas, versão siríaca)

Afonso Cruz (2016:p.35) 

Deus Criador

Deus é o menino que, depois de ter feito asneira, se esconde e, por mais que o chamem, não aparece.

( Malgorzata Zarjac)

(2016:p. 37)

Lukasz Szczepanski
entra numa loja de doces

Lukasz Szczepanski  entrou numa loja onde vendiam um doce de arroz capaz de dar um verso a quem o comesse.
- E para que me serve um verso?- perguntou Szczepanski.
- Para conquistar um coração.
- Não acredito em corações, o amor é um processo bioquímico.
Mas ficou com uma tremenda vontade de experimentar o doce de arroz, uma guloseima capaz de dar um verso a quem o comesse.

(2016:p. 40)

Volto à leitura como quem decide provar o tal "doce de arroz"...

 

1 comentário:

Rogério G.V. Pereira disse...

...e, de repente, sinto-me persa