(pesquisa google s/ ind. autoria)
No declinar da tarde, com Afonso Cruz e o seu Mil Anos de Esquecimento / Enciclopédia da Estória Universal . Na opinião de Ana Dias Ferreira, Time Out, «uma reunião de ficções, curiosidades, pensamentos morais e filosóficos, parábolas, provérbios orientais, mitos e leituras. Tudo misturado, de forma a deixar o leitor num permanente engano, dividido entre o que é facto e o que é ficção, que pensadores são verdadeiramente citados ou mero fruto da enorme criatividade do escritor.»
Criação da Terra
Um pássaro entrou pela janela do quarto
e Nós, para que ele pousasse,
dissemos uma árvore inteira,
e depois uma floresta inteira.
E o pássaro pousou naquelas
palavras e as árvores começaram
a dar um fruto amarelo
a que Nós chamámos Sol, e houve
dias que começaram a despontar do chão
e cresceram até terem a altura de anos
ou de pássaros a voar ou de planetas.
Foi quando nasceu o Universo,
foi quando nós criámos o Universo.
(fragmentos Persas, versão siríaca)
Afonso Cruz (2016:p.35)
Deus Criador
Deus é o menino que, depois de ter feito asneira, se esconde e, por mais que o chamem, não aparece.
( Malgorzata Zarjac)
(2016:p. 37)
Lukasz Szczepanski
entra numa loja de doces
Lukasz Szczepanski entrou numa loja onde vendiam um doce de arroz capaz de dar um verso a quem o comesse.
- E para que me serve um verso?- perguntou Szczepanski.
- Para conquistar um coração.
- Não acredito em corações, o amor é um processo bioquímico.
Mas ficou com uma tremenda vontade de experimentar o doce de arroz, uma guloseima capaz de dar um verso a quem o comesse.
(2016:p. 40)
Volto à leitura como quem decide provar o tal "doce de arroz"...

1 comentário:
...e, de repente, sinto-me persa
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