quinta-feira, 20 de abril de 2017

Flores silvestres



 (Pesquisa Google s/ ind. autoria)

como rói secretamente a vontade
de voltar aos lugares aonde nunca estive,
lugares abertos e amplos 
cujas coordenadas desconhecidas, desconheço.

a vontade de perseguir ardentemente
o que na verdade nunca quis
 - para querer é necessário conhecer – 
e nunca se conhece bem
um lugar onde ninguém nos conhece.

aqueles mapas que, à força de imaginar, esboçamos
deixámo-los à nascença para não termos
de repetir as velhas palavras novas   
e seus significados invariavelmente concretos
irremediavelmente cercados 
pelo tempo que os gera.

uma espécie de repulsa vem instalar-se
sobre estas objetividades densas
sobre a arrogância dos verbos avulso 
mumificados, exibidos como se relíquias 
de viagens consumadas, e,
nunca feitas.

voltar ao universo das coisas inominadas
e com a alegria primitiva 
rebatizar cada uma delas, dar-lhes um aroma fugaz,
um sabor neutro que não enjoe,
um significado verosímil, mas breve,
[a intemporalidade… enfada],
que a brevidade sirva apenas
o poema, 
momentaneamente habitável,
onde deixo a germinar
as flores silvestres que mais amo.








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