(Pesquisa Google s/ ind. autoria)
como rói secretamente a vontade
de voltar aos lugares aonde
nunca estive,
lugares abertos
e amplos
cujas coordenadas desconhecidas, desconheço.
a vontade de perseguir ardentemente
o que na verdade nunca quis
- para querer é necessário conhecer –
e nunca
se conhece bem
um lugar onde ninguém nos conhece.
aqueles mapas que, à
força de imaginar, esboçamos
deixámo-los à nascença
para não termos
de repetir as velhas palavras novas
e seus significados invariavelmente
concretos
irremediavelmente cercados
pelo tempo que os gera.
uma espécie de repulsa vem instalar-se
sobre
estas objetividades densas,
sobre a
arrogância dos verbos avulso
mumificados, exibidos como se relíquias
de viagens consumadas, e,
nunca feitas.
voltar ao universo das
coisas inominadas
e com a alegria primitiva
rebatizar cada uma delas,
dar-lhes um aroma fugaz,
um sabor neutro que não
enjoe,
um significado verosímil, mas breve,
[a intemporalidade… enfada],
que a brevidade sirva apenas
o poema,
momentaneamente habitável,
onde
deixo a germinar
as flores silvestres que mais
amo.

Sem comentários:
Enviar um comentário