sexta-feira, 7 de julho de 2017
Do Feminino
A Graça Pires esteve hoje na Feira do Livro, em Braga.
Foi bom abraçá-la, ouvi-la de novo, desta vez, a propósito do seu mais recente livro de poesia que a "Poética" editou. Tem por título, Fui quase todas as mulheres de Modigliani.
Com cada uma das mulheres que o pintor italiano, (que viveu em Paris) retratou, Graça Pires, através da uma poética de claridade feita, estabelece diálogos, destaca pormenores, adereços, analisa expressões, olhares, e vai atribuindo a cada uma delas, uma personalidade própria, um brilho particular no remate das telas. Resulta daí um interessante retrato de corpo inteiro do Feminino, onde se conjugam sonho e vigília, vulnerabilidade e caráter, medo e coragem, coração e razão... Graça Pires acaba por emprestar às 40 mulheres, "quase todas" as que Amadeo Modigliani representou, (célebres pelos rostos e pescoços alongados), uma vida íntima que o pincel do pintor não pôde captar por inteiro.
Menina de tranças
Não sei se os espelhos
me querem enganar
ou se tenho agarrado à pele
o clarão das searas.
Hesitantes, os pássaros, gostam
de baloiçar nas tranças
que me caem sobre os ombros,
enquanto corro assombrada
e sem fadiga, em direção
à última luz do dia.
Escondi, atrás dos cântaros, algas
escorregadias para deslizar até ao mar.
Vou conhecer a exultação das marés
no excesso da torrente.
Graça Pires (2017:p.32), Fui quase todas as mulheres de Modigliani, Poética Edições
Subscrever:
Enviar feedback (Atom)

1 comentário:
Cheguei a casa. E quero agradecer-te, Lídia, não só por o que escreveste aqui, mas também pela tua presença tão amiga e tão cheia de entusiasmo. Também foi bom abraçar-te e ouvir-te.
Estive a ler o teu livro "Aqui há gato" e achei maravilhoso. O teu texto é belíssimo e as ilustrações são encantadoras. É um livro que recomendo para a criançada (e não só)...
Um beijo grande.
Enviar um comentário