deixar deslizar nos dedos a areia
e transcrever, não um deserto mas um oásis,
ajustando a sede à
dimensão da fonte.
um modo de caminhar
desarmado até aos dentes
em campos de batalha
como se em campos de lírios.
a cidade?!... que não proteste
a cidade
pela ausência da minha voz.
revelou-se-me nua
despudorada e imutável em
toda a sua triste miséria.
ainda amo a paz.
vastos e castos lírios!
vejo-os.
também Quixote viu
gigantes – dizem.
[eram moinhos?]
campos de lírios o que eu vejo
[são facas?]
contra o gume aguçado de suas pétalas rubras
a harmonia de uns pés descalços passando
naturalmente...
naturalmente...
a meu favor, a legibilidade
do vento.
o perfume do sol. o sumo.

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