quarta-feira, 9 de agosto de 2017

A meu favor







deixar deslizar nos dedos a areia
e transcrever, não um deserto mas um oásis,
ajustando a sede à dimensão da fonte.
um modo de caminhar
desarmado até aos dentes
em campos de batalha
como se em campos de lírios.

a cidade?!... que não proteste a cidade
pela ausência da minha voz. revelou-se-me nua
despudorada e imutável em toda a sua triste miséria. 
ainda amo a paz.
vastos e castos lírios! vejo-os.

também Quixote viu gigantes – dizem.
[eram moinhos?]
campos de lírios o que eu vejo
[são facas?]
contra o gume aguçado de suas pétalas rubras
a  harmonia de uns pés descalços passando
naturalmente...


a meu favor, a legibilidade do vento.
o perfume do sol. o sumo.

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