sexta-feira, 4 de agosto de 2017

Nem sempre



 
nem sempre, lugar de desterro,
a solidão. andarilha,
por vezes, tomada até
de afáveis cumplicidades:
uma saleta discreta
as cortinas corridas
contra a luz e o engano.

nem sempre a hostilidade febril
do lá fora fere.
meus passos divagam
ao som de Diana Krall. dançam
sob o espanto azulado
nos olhos do gato.

por vezes a  solidão traz  dentro
o dom do sol. por vezes, nem sempre!
ou, talvez, distraída como sou,
me tenha deixado seduzir 
irremediavelmente pela feiura da noite.

e, já se sabe:
quem o feio ama, bonito lhe parece.



(imagem: Adolfo Serra)




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