domingo, 13 de agosto de 2017

sonho-nuvem


 (pesquisa google s/ ind. autoria)

desperto
[não completamente, parece-me]
a chuva cai, clemente. 
amacia as feridas em sangue
da terra massacrada.
abro as portadas 
num sobressalto quase feliz…

um sol seco ri, abertamente.
irrepreensível, no apogeu de agosto,
indiferente ao ardor das chamas 
nos olhos,
aos corpos, às árvores, às casas, 
aos braços que negam a rendição,
fronteando a cavalgada feroz do fogo.
um grito de guerra perfura
fatalmente a alegria do verão
[quem o ouve, deveras?]

a poesia, por vezes,
tão longínqua quanto a chuva
trazida por um sonho-nuvem 
inútil.





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