um arco e uma flecha
e onde o alvo?
a pólis move-se em piloto automático,
os governadores e seus servos
governam-se
com mãos mecânicas.
a tudo a tecnologia responde
exceto à razão dos sempre
ofendidos.
os tiranos, sofistas de agora, usam
gravata de seda, botões de punho
vão à missa, citam poetas
em deslumbramento enjoado. dia a
dia, mais sábios na arte de tiranizar.
os soldados não são contra
nem a favor. matam e morrem
emboscados entre a verdade e a
mentira.
a mentira e a verdade,
uma amalgama febril tingida de
sangue.
a grei não constrói
nem destrói. desconstrói-se.
o seu destino é balir.
quotidianamente quebra a pedra
que, no ventre sumido,
guarda o pão e a água.
guarda o pão e a água.
pela penúria se faz mui mansa (ou talvez não).
à noite, é a bandeira da
subsistência
que lhe cobre os sonhos
envergonhados.
o perfume das flores, as trovas antigas,
a voz dos pássaros...
as flautas… quem dá por elas?
falemos de amor. Visto isto, falemos
de amor:
eu e tu brincamos a apanhar estrelas
num outro céu
ensinamo-nos mutuamente a
respirar
dentro do desassossego dos poemas que
dentro do desassossego dos poemas que
vêm acender-nos a lua. assim
alumiados
talvez nos salvemos
talvez nos salvemos
dos buracos negros do firmamento.

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