quinta-feira, 14 de dezembro de 2017

Amigos



dias, semanas, meses,
anos de passos iguais
casa, trabalho
trabalho, casa
trabalhos de casa
não há tempo para mais.

os amigos são agora muito
virtuais
sorriem, creio que sorriem,
invisíveis, por detrás
de frases feitas
mil vezes repetidas.

nem lírios nem vendavais
mornos, distantes, irreais.
nomeio-os, um a um
mentalmente
hesito aqui e ali
perde a cor o sentimento.

os que vêm trazem pressa
risos abertos, abraços fechados
alguns retratos
amarrotados…
poucas palavras para a partilha
  
e na boca o desabafo
de uma (des)culpa sentida:
é a vida. é a vida.



1 comentário:

Rogério G.V. Pereira disse...

(Ah!, desta vez, enfim
não fala ela de mim)