sábado, 10 de fevereiro de 2018

Poema



Queria um poema feliz,
pequenino redondinho
como um casulo 
ou um ninho
de existência nenhuma
ainda que original
como o canto da sereia
que à noite se alteia
no mar que é meu quintal.

Que uma enxada ou caneta
lhe desbastasse os veios
até que só restasse
a baça silhueta
de uma borboleta preta
em interditos volteios. 
Queria um poema assim
que não doesse ao nascer,
um poema sem mim.

Estou farta de me ver.


(imagem: pesquisa google s/ ind, autoria)