Lá por finais do outono, quando os
primeiros sinais de inverno se fazem notar lá fora, costumo recolher os duendes
das floreiras e deixá-los a hibernar, aconchegados na sua casinha de cartão
que antes fora caixa de sapatos. Mas, no outono passado, essa ação preventiva
falhou, talvez por que o inverno não veio determinado como habitualmente. Foi
chegando devagarinho, tão hesitante e pouco convincente que me esqueci de BrancaNevar
e negligenciei-os, completamente.
Não são vingativos, os anõezinhos. Hoje
reparei que, apesar das cores anémicas que tomaram conta deles, continuam a cuidar
das plantas, agora que, reformados, deixaram as minas. Com dois dias de sol e as
temperaturas um pouco mais amenas, decretaram aberta a época dos milagres. E, de
repente, tudo na Natureza nega a rendição e o decesso. Por terra, os intentos
do inverno, outra vez.


