(Arcada, Braga - foto de Bruno Macedo)
Caminham
devagar pelas ruas
enrolados em
grossos casacos,
as mãos
encolhidas nos bolsos
e tempo de
sobra nos passos.
São velhos
uns
e os outros
quase velhos.
A “bica”
tomam-na por ali
nos sítios
do costume.
Passam os
olhos a correr
pelos
títulos dos jornais:
isto é sempre a mesma coisa!
Para os pobres, anda sempre
o mundo torto.
Vão chegando
uns e outros.
Juntam-se em
bandos
em qualquer
esquina menos fria
ou debaixo da “Arcada”,
nas margens do chafariz
nas margens do chafariz
vigiados de
perto pelos pombos.
O Sol, de
passagem
amaina-lhes
o frio do corpo.
Falam de
futebol e de outros nadas.
Riem alto,
saudosos de risos,
se uma piada
se abeira, pertinente.
E são outra
vez meninos
a quem negam
o pião.
Dali a pouco
hão de
regressar a casa,
abeirar-se
do lume, melancólicos,
ó homem, estás a olhar p’ra ontem?
come lá a sopa enquanto está quente.
São todos
velhos ou quase velhos,
recebem a
pensão de reforma,
o subsídio
de desemprego
ou o de
outra miséria qualquer,
um lugar num
banco de jardim,
numa esquina,
um inverno
para carregar aos ombros.
É assim que
lhes ensinam,
o caminho
mais curto para a morte.
