quinta-feira, 4 de outubro de 2018

"Eu Vim para Ver a Terra"





   Hoje, antes de se iniciarem as comunicações do último de dois dias do II Colóquio Internacional Maria Ondina Braga – Viagens e Culturas em Diálogo - que decorreu em Braga, no Museu Nogueira da Silva, tempo ainda para uma pequena "viagem" pelos jardins deste magnifico edifício, (situado no coração da cidade), a revisitar memórias, lembranças pessoais e a acordar sensações, à luz de um espaço repleto de História e de histórias.







(foto minha, hoje)


Depois, lá dentro:

"Eu Vim para Ver a Terra"

De vez em quando
um odor a bolor e a naftalina
atravessa o espaço,
misteriosamente,
por sobre a atenção da assistência
toda posta na eloquência dos oradores.

E a viagem faz-se em mim,
por via do olfato,
aos espaços de intimidade de Ondina:
as saletas, os quartos, a luz restringida
por pesados reposteiros às flores, 
o cheiro a incenso,
à cera das velas acesas 
nos oratórios dos santinhos
de devoção de sua mãe.

Os mesmos oratórios adornados
com paninhos de renda branca 
da casa da minha avó.
O mesmo S. Bento,
a mesma Santa Bárbara,
Santa Teresinha e suas rosinhas, 
artificiais,
as mesmas salas, os mesmos quartos,
os mesmos crucifixos,
a mesma luz, os mesmos cheiros…

E de Ondina em mim
o mesmo desígnio: 
Eu Vim para Ver a Terra

Ela foi.
Eu fiquei. 
Ou talvez não...

Lídia Borges (04/10/2018)

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