Hoje, antes de
se iniciarem as comunicações do último de dois dias do II Colóquio Internacional Maria Ondina Braga – Viagens e Culturas em Diálogo - que decorreu em Braga, no Museu Nogueira da Silva, tempo ainda para uma pequena "viagem" pelos jardins deste magnifico edifício, (situado no coração da cidade), a revisitar memórias, lembranças pessoais e a acordar sensações, à luz de um espaço repleto de História e de histórias.
(foto minha, hoje)
Depois, lá
dentro:
"Eu Vim para Ver a Terra"
De vez em quando
um odor a bolor e a
naftalina
atravessa o espaço,
misteriosamente,
por sobre a atenção da
assistência
toda posta na eloquência dos oradores.
E a viagem faz-se em mim,
por via do olfato,
aos espaços de intimidade de
Ondina:
as saletas, os quartos, a
luz restringida
por pesados
reposteiros às flores,
o cheiro a incenso,
à cera das velas acesas
nos oratórios dos santinhos
de devoção de sua mãe.
Os mesmos oratórios adornados
com paninhos de renda branca
da casa da minha avó.
O mesmo S. Bento,
a mesma Santa Bárbara,
Santa Teresinha e suas rosinhas,
artificiais,
as mesmas salas, os mesmos
quartos,
os mesmos crucifixos,
a mesma luz, os mesmos
cheiros…
E de Ondina em mim
o mesmo desígnio:
Eu Vim para Ver a Terra
Ela foi.
Eu fiquei.
Ou talvez não...
Ou talvez não...
Lídia Borges (04/10/2018)

