quinta-feira, 1 de novembro de 2018
É um dia difícil
No tempo em que festejavam o dia dos meus anos
eu ia, pela mão do meu pai, ao cemitério visitar o túmulo dos avós.
Todos os outros estavam ainda vivos.
No regresso comprávamos dois cartuchinhos de castanhas assadas
para aquecer as mãos e enganar a saudade.
Hoje, mais uma vez, não fui ao cemitério
festejar o dia dos meus anos.
É um sítio de desamparo impróprio para celebrar
a Vida.
Todos os amigos que quiseram felicitar-me
disseram primeiro "Parabéns" e outras coisas dessas
que deixam piquinhos no nariz como o champanhe
e a boca qual profiterole recheado com sorvete, calda, creme
e tudo...
Depois, a "coisa" complica e lá vem o tradicional:
É um dia difícil, ao qual se segue um chorrilho
de palavrinhas tristonhas com castanhas assadas
já frias pelo meio e uma irritante chuva miudinha
a encharcar-me a boa disposição.
Chegou o tempo em que
não há paciência para festejar o dia dos meus anos.
