
Escritas de luz investem pela sombra, mais prodigiosas
do que meteoros.
A alta cidade irreconhecível cresce sobre o campo.
Certo da minha vida e da minha morte, olho
os ambiciosos e queria entendê-los.
O seu dia é ávido como o laço no ar.
A sua noite é a trégua da ira no ferro, rápido ao
atacar.
Falam de humanidade.
A minha humanidade está em sentir que somos vozes
da mesma penúria.
Falam de pátria.
A minha pátria é um ganido de guitarra, alguns
retratos
e uma velha espada,
a clara prece do salgueiral nos entardeceres.
O tempo está a viver-me.
Mais silencioso do que a minha sombra, cruzo o tropel
da sua excitada cobiça.
Eles são imprescindíveis, únicos, merecedores do
amanhã.
O meu nome é alguém e qualquer um.
Passo com lentidão, como quem vem de tão longe que
não espera chegar.
(imagem - óleo sobre tela,70X50, de minha autoria)