quinta-feira, 19 de dezembro de 2019

Derreter em lume brando


Chamar-lhe-ia poeta,
se pelo menos o próprio
acreditasse 
no que diz.

Tanta palavra vazia
Tanto rolo, tanto enredo
É o que faz dar ouvidos
A uma dor de cotovelo.

Eu assisto e sinto dó
vendo a pobre poesia
Ser lugar de serventia,
Em triste forrobodó.

Todavia é dezembro
E não tenho a pretensão
De azedar as rabanadas
Desejo a todos, [mais um]
Festas mui “abensonhadas”

Pela Estrela de Natal.
Que o poema regresse 
Ao seu leito original
E se deixe de manias
Arrelias... tal e tal.
Não será esse por certo.
seu designo natural.


Lídia Borges, (À boca de cena)