Há momentos em que
os desamores líricos
nos engelham a voz
até ao plissado mais fino
das cordas vocais.
É quando
os pastores não tocam
flauta
[e se tocam não alcançamos
ouvi-los],
É quando
Leonor descalça
não vai para a fonte
nem fermosa nem
segura.
É quando
bárbora não se liberta
do grilhão da escravidão
só porque um poeta a
coroou
num romancilho:
Pretidão de Amor,
tão doce a figura,
que a neve lhe jura
que trocara a cor.
Há momentos em que a palavra
é pedra e cal[a].
Lídia Borges
