(pintura: Anne Packard)
De onde vem
este aroma de rosas?
O solo é geoso
e cresta na
sombra as raízes.
Como consegues que
te nasçam flores
para lá da
pele?
Acaso guardas benquerenças
esquecidas
no forro de
algum casaco velho?
preces, mezinhas,
tisanas para o silêncio,
movimento súbito
para a palavra que fermenta?
Um impulso altivo,
pegadas de dezembro
na calçada para o coração
a fugacidade de
um cavalo selvagem
que se precipita
no silêncio primitivo.
Como consegues
suster a água de tantas fontes?
Lídia Borges
