quarta-feira, 16 de dezembro de 2020

Último Poema

(imagem s/. indicação de autoria)

É Natal, nunca estive tão só.
Nem sequer neva como nos versos
do Pessoa ou nos bosques
da Nova Inglaterra.
Deixo os olhos correr
entre o fulgor dos cravos
e os dióspiros ardendo na sombra.
Quem assim tem o verão
dentro de casa
não devia queixar-se de estar só,
não devia.


Eugénio de Andrade, em Rente ao Dizer.