I
Às vezes, a
noite vem inundada de ruídos
que não contam com entrada
no teu dicionário,
distintos em
tudo dos da casa antiga
cujo soalho crepitava
no silêncio.
É o bicho da
madeira – diziam –
Para mim era a
barata de Kafka
[embora não a
soubesse, ainda].
Vinha perfurar a noite,
tocar todas as arestas
do escuro
com suas patas repelentes.
II
Às vezes, não
sabes por que deixou de correr
a água à margem sombrosa dos salgueiros.
Tornou-se claramente mais árduo
levar o barco a rasgar essas águas estagnadas
tomadas de hidrófitos
flutuantes
que nem me deixam cair no sono
nem emergir
dele.
Lídia Borges
