Já na minha alma se apagam
As alegrias que eu tive;
Só quem ama tem tristezas
Mas quem não ama não vive
António Botto (1897-1959)
Assim, sendo viver amar,
Não sei que farás aqui
Não amando ainda vives
A desdizer o que vivi
Abrem rosas e amores
Adejam aves no ar
De nada sabes as cores
São penas do teu penar
Esse viver por viver
Tristezas do não amar
As alegrias que tive
Na minha alma se apagam.
Como apagar as tristezas
Daqueles que muito amam?
Se tem tristezas quem ama
Quem não ama não as havia de ter
Sobre isso ninguém reclama
O que nos deixa antever
Que amando ou não amando
A vida é sombra a crescer.
Porém se um sol se acende
Por vontade numa janela
E o olhar logo se prende
À criança a cirandar.
Tudo muda, a vida é bela
Não se vive sem amar.
Lídia Borges
(imagem s/ ind. autoria)
