quinta-feira, 1 de julho de 2021

Ao jeito de Natália

(Coroação dos atletas nas olimpíadas da Grécia Antiga. 

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A si mesmos apelidam de poetas

E ao que fazem chamam poema

São os literatos da moda

A quem a Poesia incomoda

E cozinham a seu modo

De mil temas, o tema.

 

Batem ódio com despeito

Se os ventos lhes não forem de feição

Juntam fel e azedume, subtilezas e manhas

De sua própria criação

E atribuem-na a outros

Como manda uma certa tradição.

 

Criam poemas – dizem. E criam

Mas não criam Poesia

Que esta não se dá bem

Em solos de estrebaria

 

E continuam a bater

Ainda que a massa engrume

E os suspiros desfaleçam

Em breves verbos de encher

Acompanhados de estrume.

 

Polvilham com pós de cobiça

O intragável pitéu. E servem-no

Como se manjar dos deuses

Feito por anjos no céu.

 

Contudo, não se ignore a lucidez

Não se gastem palavras em demasia,

[Ainda que uma só vez],

Com quem vê só o que quer ver.

Se o verso não é Poesia, está visto,

Não serve para comer.

 

Lídia Borges