(Coroação dos atletas nas olimpíadas da Grécia Antiga.
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A si
mesmos apelidam de poetas
E ao
que fazem chamam poema
São os literatos da moda
A
quem a Poesia incomoda
E cozinham
a seu modo
De mil
temas, o tema.
Batem
ódio com despeito
Se os
ventos lhes não forem de feição
Juntam
fel e azedume, subtilezas e manhas
De
sua própria criação
E atribuem-na a outros
Como manda uma certa tradição.
Criam
poemas – dizem. E criam
Mas
não criam Poesia
Que esta não se dá bem
Em
solos de estrebaria
E
continuam a bater
Ainda
que a massa engrume
E os
suspiros desfaleçam
Em
breves verbos de encher
Acompanhados
de estrume.
Polvilham
com pós de cobiça
O
intragável pitéu. E servem-no
Como se manjar dos deuses
Feito
por anjos no céu.
Contudo,
não se ignore a lucidez
Não
se gastem palavras em demasia,
[Ainda
que uma só vez],
Com quem vê só o que quer ver.
Se o verso não é Poesia, está visto,
Não
serve para comer.
Lídia
Borges
