sexta-feira, 13 de agosto de 2021

POR BREVES INSTANTES QUE SEJA


Ó divindades da dança

do êxtase, do arrebatamento

vinde roubar-me,

[por breves instantes que seja],

a trena a régua o esquadro o compasso

com que traço milimetricamente

as grades

da minha sublime prisão.

 

Vinde libertar-me do cerco

da medida certa, da exatidão

de ângulos e perímetros.

Do “conhece-te a ti mesmo”

Do “não te excedas”

nas antigas inscrições de Delfos.

 

Dá-me a ver,

[por breves instantes que seja]

o lado oculto,

para além do estar em mim,

esse lado caótico e festivo

onde deuses e humanos,

em rasgos de fúria, dançam

transtornados, perdidos e iguais.

 

Lídia Borges

(imagem: pesquisa Google s/.ind autoria)