Ó divindades da dança
do êxtase, do arrebatamento
vinde roubar-me,
[por breves
instantes que seja],
a trena a régua
o esquadro o compasso
com que traço milimetricamente
as grades
da minha sublime
prisão.
Vinde
libertar-me do cerco
da medida certa,
da exatidão
de ângulos e perímetros.
Do “conhece-te a ti mesmo”
Do “não te
excedas”
nas antigas inscrições
de Delfos.
Dá-me a ver,
[por breves
instantes que seja]
o lado oculto,
para além do
estar em mim,
esse lado caótico e festivo
onde deuses e
humanos,
em rasgos de fúria,
dançam
transtornados, perdidos
e iguais.
Lídia Borges
(imagem: pesquisa Google s/.ind autoria)
