domingo, 7 de novembro de 2021

Se quiseres acendo a luz

De minha autoria, óleo sobre tela - (140X60cm) 

Não temos de gostar

de todos os versos que escrevemos.

Não temos, naturalmente.

Mas não me agrada nada

o frio da festa em cada verso novo.

É como se alguma voz         

me quisesse dizer:

Basta. Disseste tudo

o que tinhas para dizer.

E o que não disseste

não pertence ao universo da escrita,

à aflição figurada das palavras.

Agora faz as malas e vai

descansar.


Procuro um silêncio de aves marinhas

para me aconchegar.

Se quiseres acendo a luz

para veres que não choro.

Ah, a estrela-do-mar na minha almofada?!

Esqueci-me de a deixar lá atrás

junto dos versos rejeitados.


Lídia Borges