Subitamente interrompo a escrita
para indagar do estado de perturbação
em que a encontro,
os pés desatados do solo
o corpo desconjuntado, flutuando,
da lei da gravidade liberto.
No exato instante que precede a queda
agarro o equilíbrio por um fio de luz débil
na inclinação fragosa do silêncio.
Ah, esta mania de julgar terra
a viagem
e a vertigem, ascendimento.
Esta mania de permanecer
pobre de aconteceres
e abastadíssimo de abalos
de aérea natureza.
Pena que a imaginação esfrie
e o imaginador se deixe resvalar
para a armadilha da repetição
e do devaneio.
Um modo trágico de trocar
asas por pedras.
Lídia Borges
(Pinterest, s/ ind. autoria)