terça-feira, 28 de dezembro de 2021

Do terrestre




 Subitamente interrompo a escrita

para indagar do estado de perturbação

em que a encontro,

 

os pés desatados do solo

o corpo desconjuntado, flutuando, 

da lei da gravidade liberto.

 

No exato instante que precede a queda

agarro o equilíbrio por um fio de luz débil

na inclinação fragosa do silêncio.

 

Ah, esta mania de julgar terra

a viagem

e a vertigem, ascendimento.

Esta mania de permanecer

pobre de aconteceres

e abastadíssimo de abalos

de aérea natureza.

 

Pena que a imaginação esfrie

e o imaginador se deixe resvalar

para a armadilha da repetição

e do devaneio.

Um modo trágico de trocar

asas por pedras.

 

Lídia Borges

(Pinterest, s/ ind. autoria)