O tempo dos blogues foi-se, mais ou menos, como o tempo das cerejas. Amadureceu e caiu, perdendo-se a beleza, a cor e o sabor dos “frutos”. Do tudo e do nada, a propósito do tema, é possível desenvolver uma teoria: do nada, muito haveria a dizer. Como na vida, também aqui, há coisas para as quais não devemos, de todo, ser complacentes, pacientes, disponíveis. A ligeireza, para não dizer o abuso, com que alguns julgam poder dirigir-se aos outros, no contexto do virtual, é largamente definidora da falta de caráter e sobretudo de educação que assiste a esses alguns. É, através desta visão que, na ausência de um rosto limpo, de uma identidade conhecida, podemos aferir sobre as qualidades de cada interlocutor.
Há quem esperneie muito, grite alto e faça nada; quem minta descaradamente, chamando o outro de mentiroso; quem ofenda, agrida, destrua, num à-vontade intolerável, quem se julgue dono de todas as verdades, julgadores de púlpito, definidores dos caminhos alheios, bandarilheiros desempregados, moralista de meia tigela, exibicionistas ascorosos.
Enfim… há gente de todas as espécies, aqui, como na vida, com todo
o direito a existir, mas sem direito nenhum a haver, onde, quando e como bem entende. Novos colonizadores com cheiro a velho, usurpadores das liberdades
d’outrém, criaturas que se dispensam a contento.
Há gente de todas as espécies, aqui, como na vida. Da teoria do tudo, direi que me deparei, ao longo dos doze anos do Searas, com muita gente boa, gente de quem me tornei admiradora, amiga, gente que passou a fazer parte dos meus pensamentos bonitos, das minhas imagens de sonhar, das minhas palavras de Ser, gente que usa uma linguagem de risos e lágrimas para transmitir o que pensa, o que sente, sem o estrago das segundas... terceiras...quartas intenções. Gente que sempre se fica por intenções primeiras. E quem lê outras é já a si próprio que lê. Bem feito que assim seja!
Medidos os prós e os contras, estou
grata a esta coisa a que chamam “blogosfera”. É uma palavra com um quê de circular,
redonda, em movimento, a lembrar o mundo real onde, naturalmente, todos cabem. Porém,
este, o virtual, tem a vantagem de permitir o “assassinato” daqueles
que nos importunam, sem que para isso, seja necessário ter quaisquer conhecimentos sobre
o manejo de armas, venenos, torturas e afins. Nisso sou potencialmente perigosa, reconheço.
Mas sou também repleta de uma gratidão imensa àqueles que estão aqui, como no mundo, dizendo-nos que é possível
escolher o lado mais liso e luminoso da vida para se caminhar. Estou convencida de que os
blogues estariam ainda em inteira atividade, não fosse o intuito de muitos reduzi-los ao vulgar, no pior sentido do termo. Da queda dos blogues nem tudo foi forçosamente mau. Ela
arrastou para o lodaçal os (per)seguidores, devolvendo-os, cabisbaixos, à nulidade que lhes corre
nas veias.
Esta prosa feia vem na sequência de atitudes bonitas, chegadas da parte de alguns amigos que o Searas me concedeu. A esses serei sempre grata e estarei sempre em falta por manter o Searas de Versos de portas encerradas. De portas abertas, o meu coração.
Obrigada!
Lídia Borges
(Foto minha, hoje)
