Do outro lado é fevereiro, o rosto toldado dos dias mínimos, pássaro aninhado à porta do poema sob o peso de uma palavra imóvel.
Do outro lado é a rapariga feita de água e nevoeiro. E a travessia; a florista e os cestos avessos à invenção das flores.
É o ressoar de uma praça sem nome comprimida entre um entardecer e uma alvorada indistinta.
O outro lado é por aqui, onde não passam estrelas e por isso não há como dizer sim a uma e não a outra sem deixar cair um queixume.
Deste lado é a música e os traços vagos que ela
deixa à flor dos sentidos, quando anoitece.
Lídia Borges
(imagem: Caras Ionut)