Timidamente
por sobre veredas névoas e dúvidas
balbuciam-nos
os caminhos de nós.
Abrem-se à nossa passagem
portas imateriais que desconhecíamos:
brumas, brisas, cítaras, vitrais…
E em súbita ternura
aprendemos a dar cor a um citrino
claridade a um rio
perfume a um lírio roxo,
ainda que cerrados e secretos os
dias.
Aprende-se o peso de uma lágrima
se tardar o medo de se esgotar em
nós a alegria,
se nos deixamos enternecer
no suplício de uma pedra esculpida
se nos deixamos comover
até ao aluimento dos braços.
Depois de tudo, se ainda fores o mesmo,
não laves as mãos, volta lá acima,
para junto das estátuas cegas
e escuta só.
Lídia Borges
(Imagem: lírio roxo do Gerês)