quinta-feira, 10 de fevereiro de 2022

Lírio roxo do Gerês



Timidamente

por sobre veredas névoas e dúvidas

balbuciam-nos 

os caminhos de nós.

 

Abrem-se à nossa passagem

portas imateriais que desconhecíamos:

brumas, brisas, cítaras, vitrais…

 

E em súbita ternura

aprendemos a dar cor a um citrino

claridade a um rio

perfume a um lírio roxo,

ainda que cerrados e secretos  os dias. 

 

Aprende-se o peso de uma lágrima

se tardar o medo  de se esgotar em nós a alegria,

se nos deixamos enternecer

no suplício de uma pedra esculpida

se nos deixamos comover

até ao aluimento dos braços.

 

Depois de tudo, se ainda fores o mesmo,

não laves as mãos, volta lá acima,

para junto das estátuas cegas 

e escuta só. 


Lídia Borges

(Imagem: lírio roxo do Gerês)