Aventurei-me, então, numa narrativa de pendor biográfico, um texto que quis simples e leve sem perder de vista a intenção de tornar mais abrangente o nome de Maria Ondina e criar, nos mais novos, o desejo de (quem sabe), num futuro próximo, conhecerem a sua obra.
Faltam-me as ilustrações. Não sei se encontrarei quem as veja, tal como as tenho, prontas, na minha cabeça e lhes dê a volta. Podia criá-las eu, mas corria o risco de não acrescentar nada ao dito. Não é isso, claramente, o que se espera de um livro ilustrado para crianças.
***
ONDINA (excerto)
O nome?! Bem! - dizia a mãe – eu não quero
que a minha filha tenha um nome esquisito, um desses nomes raros e difíceis que
depois, na escola e na catequese, as outras crianças comecem a amacacar.
É melhor um nome fácil, simples, um nome da nossa terra. Podíamos escolher o
nome de uma santa. Há tantos e tão bonitos!
O pai torceu o nariz - Não. A sua menina havia
de ser especial, tinha de ter, por isso, um nome a condizer - um nome especial.
Então, pegou num pequeno dicionário, ali pousado em cima do móvel, encontrou Ondina
- e leu em voz alta para a família reunida em volta da mesa, ao jantar:
ONDINA, o génio do amor que vive nas águas.
Sereia.
Oh, que bonito! - Soava bem, era musical, fazia
lembrar uma ondinha. Não uma onda dos grandes mares revoltos, mas uma ondinha
dos lagos calmos e transparentes, a ir e a vir, a vir e a ir. Quem a escutasse com
atenção, apercebia-se de um som de água muito suave que cantava baixinho no
coração dos que haviam de a amar.
O tio
Luís e a tia Francisquinha aprovaram logo – Maria Ondina! Muito bonito! A mãe não
disse sim nem não. E, como quem cala consente, ficou ali escolhido o nome. A menina
que acabava de nascer seria Ondina, Maria Ondina, o génio do amor que vive nas
águas. Uma sereia.
[...]
Lídia Borges (inédito)
