quarta-feira, 29 de novembro de 2023

Quase nada

 

Na fímbria do mar me sento.

Mil pensamentos vertidos

no rendilhado da espuma

entorpeçam os gestos, os sonhos.  

 

As imagens, 

destroços dançantes,

reduzem ao sacro silêncio 

a hora da palavra.

Gasta, fragmentada

no interior dos olhos,

poeiras, apenas.


As imagens,

descrevê-las, escrevê-las 

para arrancá-las da cabeça.

 

Ou, em memória dos puros,

não escrever nada.

Sentir no sangue a dor gélida 

sem procurar consolo ou agasalho.


Lídia Borges 

(imagem: pesquisa Google s/ind. autoria)