Na fímbria do mar me sento.
Mil pensamentos vertidos
no rendilhado da espuma
entorpeçam os gestos, os sonhos.
As imagens,
destroços dançantes,
reduzem ao sacro silêncio
a hora da palavra.
Gasta, fragmentada
no interior dos olhos,
poeiras, apenas.
As imagens,
descrevê-las, escrevê-las
para arrancá-las da cabeça.
Ou, em memória dos puros,
não escrever nada.
Sentir no sangue a dor gélida
sem procurar consolo ou agasalho.
Lídia Borges
(imagem: pesquisa Google s/ind. autoria)
